CERAweek 2026

Bloqueio do Estreito de Ormuz exige diversificação de rotas de suprimento de gás para mercado global

Países do Mediterrâneo querem se posicionar como porta de entrada do gás na Europa

Osama Mobarez, secretário-geral do EMGF, nomeado para o cargo em novembro de 2021 com mandato iniciado em janeiro de 2022 (Foto Divulgação EMGF)
Osama Mobarez, secretário-geral do EMGF, nomeado para o cargo em novembro de 2021 com mandato iniciado em janeiro de 2022 (Foto Divulgação)

HOUSTON — O bloqueio do Estreito de Ormuz reforça a necessidade de diversificação não só de fontes de gás natural, mas também de rotas de suprimento. E os países do Mediterrâneo vêem na atual guerra no Oriente Médio um reforço da tese de investimento no projeto do Corredor Vertical de Gás.

O Corredor Vertical é uma iniciativa estratégica de infraestrutura de gasodutos que visa conectar os terminais de gás natural liquefeito (GNL) da Grécia à Europa Central e Leste Europeu.

“[A crise atual] mostra o quão frágil é a rota [de GNL] pelo Estreito de Ormuz. Precisamos de mais opções para que o mercado encontre os fornecedores”, disse nesta segunda (23/3) o secretário geral do Fórum de Gás do Mediterrâneo Oriental, Osama Mobarez, durante a CERAWeek, em Houston.

O Fórum é uma organização internacional formada por Chipre, Egito, França, Grécia, Israel, Itália, Jordânia e Palestina.

Presente no mesmo painel, o ministro de Meio Ambiente e Energia da Grécia, Stavros Papastavrou, defendeu que a Europa precisa avançar na reestruturação de sua infraestrutura e que o Corredor Vertical é um projeto transformador que pode “beneficiar todos os países”.

Europa tem apetite por contratos

O projeto do Corredor Vertical tem sido objeto de negociações entre os países do Mediterrâneo, a União Europeia e Estados Unidos — que quer reforçar a sua posição como fornecedor de GNL para o mercado europeu.

Em fevereiro, uma reunião entre o Departamento de Energia dos EUA (DoE) recebeu autoridades da Bulgária, Grécia, Romênia, Moldávia, Ucrânia e da Comissão Europeia para discutir o projeto

As conversas são uma continuidade da Cúpula da Parceria para a Cooperação Energética Transatlântica, realizada em Atenas em 2025, e na Cúpula Transatlântica de Segurança do Gás, em Washington, em fevereiro deste ano.

A diretora-geral para Energia da Comissão Europeia, Ditte Juul Jørgensen, afirmou que o bloco está disposto a assumir mais contratos de longo prazo para aquisição de GNL.

Ela destacou que a guerra entre Rússia e Ucrânia deixou de lição a importância na diversificação das fontes de gás — e que a guerra atual no Oriente Médio reforça essa necessidade.

Ditte Juul Jørgensen alega, no entanto, que dessa vez a Europa está mais preparada para atual crise no mercado global de gás, justamente, porque diversificou a sua base de fornecedores para além da Rússia.

A construção dessa diversificação, segundo ela, passa por parcerias internacionais.

Os países do Mediterrâneo, afirmou ela, são “parceiros naturais” da Europa e que a UE tem interesse em cooperar com o Corredor.

O desafio, pontua, é a necessidade de manter a competitividade do gás.

Impacto até 2030

A capacidade global de suprimento de GNL sentirá impactos do conflito no Oriente Médio até a década de 2030, segundo analistas da S&P Global durante o evento. Apenas o ataque a Ras Laffan, no Catar, destruiu 3% da capacidade mundial de produção, e cerca de 19% do suprimento global já foi afetado.

China, Japão e Coreia do Sul têm usado reservas para atenuar os impactos, enquanto Taiwan, Paquistão e Índia estão mais expostos, podendo haver racionamento para clientes industriais indianos.

Assista a cobertura da eixos diretamente de Houston:

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