HOUSTON — A guerra no Oriente Médio pode dar mais tração aos investimentos da Argentina em planta de exportação de gás natural liquefeito (GNL), afirmou nesta terça (24/3) o CEO da Tecpetrol, Ricardo Markous, durante a CERAweek 2026, em Houston.
Também presente no evento, o ministro de Economia da Argentina, Daniel González, acrescentou que o conflito é “algo positivo a longo prazo” para o país.
“Quanto ao desfecho da guerra, penso que, a longo prazo, é algo positivo, pois ressalta a importância — para a segurança energética — de se dispor de recursos situados longe de centros de conflito”, disse.
Markous destacou, no entanto, que os produtores argentinos miram também oportunidades de integração com os mercados do Brasil e do Chile, via gasodutos.
“Mas o grande mercado é o do GNL”, comentou.
“A combinação entre o mercado regional e o GNL representa uma enorme oportunidade. Isso se deve ao fato de que precisamos escoar o gás para viabilizar a produção de petróleo, uma vez que o petróleo vem associado ao gás natural. Precisamos encontrar mercados para esse gás a fim de podermos produzir o petróleo. Assim, para nós — e aqui reside uma oportunidade gigantesca para o desenvolvimento de infraestrutura —, a situação é muito promissora”, completou o executivo.
A expectativa, segundo ele, é que o primeiro projeto de liquefação em curso, encabeçado pela YPF, acelere a implementação.
“A Argentina tem trabalhado em diferentes projetos de GNL e, considerando o que ocorreu no Catar, creio que esses projetos ganharão força”, disse.
A Tecpetrol é umas líderes na produção de de óleo e gás no shale de Vaca Muerta.
A empresa pertence ao Grupo Techint, que também é acionista da Transportadora Gas del Norte (TGN), que desenhou um projeto de um novo gasoduto de 750 km (Neuquén-La Carlota), estimado em US$ 2 bilhões, e que visa aumentar a capacidade de exportação do gás da Bacia de Neuquén, de olho tanto na demanda por gás do Brasil quanto do próprio mercado interno.
“Já estamos iniciando projetos para expandir nossa malha de gasodutos, visando enviar volumes ainda maiores de gás para o mercado brasileiro”, disse o executivo.
Assista a cobertura da eixos diretamente de Houston: