Destino de Angra 3

TCU: inércia do governo sobre Angra 3 contribui para desperdício de R$ 2 bi nos últimos 2 anos

Gastos incluem manutenção da estrutura da obra paralisada e pagamentos de despesas financeiras decorrentes de dívidas contraídas

Vista do terminal da Transpetro em Angra dos Reis, RJ (Foto Reprodução Transpetro)
Terminal da Transpetro em Angra dos Reis (RJ) | Foto Reprodução Transpetro

O Tribunal de Contas da União (TCU) apontou, nesta quarta-feira (28/1), que a demora do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), em decidir ou não pela retomada das obras da usina Angra 3, contribuiu para o desperdício de cerca de R$ 2 bilhões nos últimos dois anos.

Está ocorrendo, por exemplo, gastos com manutenção da estrutura da obra paralisada e pagamentos de despesas financeiras decorrentes de dívidas contraídas.

O TCU afirmou que essa situação acarreta aumento de custos e elevação da tarifa de energia associada ao empreendimento, além prejuízo ao equilíbrio econômico e financeiro da Eletronuclear, estatal responsável pelo empreendimento.

O CNPE, composto por ministro do governo, vem reiteradamente adiando a decisão.

A Corte de Contas também informou ao governo, em processo votado hoje, que eventual publicação de edital de licitação destinada à retomada da construção da usina Angra 3, se mantido o cenário atual, vai configurar irregularidades.

Isso porque há insuficiência de previsão orçamentária e de recursos financeiros para o projeto.

Os técnicos do governo concordam que do ponto de vista orçamentário seria melhor continuar com as obras, tendo em vista que um dos cenários previstos é o financiamento em mercado para o custeio do projeto, com a União sendo garantidora.

Há números divergentes, mas até o ano passado estava sendo estimado o valor de R$ 20 bilhões perdidos, em caso de decisão pelo fim do projeto.

Por Renan Monteiro e Luiz Araújo

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