Inflexibilidade contratual

TCU: Aneel terá 15 dias para responder sobre solução consensual de quatro usinas da Eneva

Aneel também precisará informar sobre térmicas que poderiam ser desligadas no caso de redução da inflexibilidade contratual

UTE a gás Parnaíba VI, da Eneva, parte do Complexo Parnaíba, localizado em Santo Antônio dos Lopes/MA (Foto Divulgação)
UTE a gás Parnaíba VI, da Eneva, parte do Complexo Parnaíba, localizado em Santo Antônio dos Lopes/MA (Foto Divulgação)

O presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), Vital do Rêgo, determinou a realização de diligência junto à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para a possível solução consensual relacionada aos contratos de quatro usinas termoelétricas da Eneva.

O órgão regulador terá 15 dias para responder sobre essa possibilidade, contados a partir da ciência do despacho assinado na quarta-feira (28/1) pelo presidente da Corte de Contas.

O caso envolve controvérsias enfrentadas nos contratos das seguintes usinas termoelétricas: Maranhão III – Parnaíba II; MC2 Nova Venécia 2 – Parnaíba VI; Azulão II e Azulão IV.

As duas primeiras estão localizadas em Santo Antônio dos Lopes, no Maranhão. Já as duas últimas estão localizadas em Silves, no Amazonas.

Além de avaliar a possível participação em comissão de solução consensual no TCU, Aneel também precisará informar sobre a existência de estudo com informações sobre as usinas termoelétricas que poderiam ser desligadas no caso de redução da inflexibilidade contratual.

Nesse escopo, também precisará ser respondido o montante de redução da inflexibilidade. A controvérsia central com as usinas da Eneva está justamente neste ponto.

A inflexibilidade na geração de energia elétrica significa que uma usina não pode alterar a sua geração de energia de acordo com a eventual demanda do sistema, seja para reduzir ou para aumentar a geração.

É o montante de geração de energia elétrica previsto contratualmente. Eventuais alterações dependem de mudanças nos contratos.

A solicitação de solução consensual foi formulada pelo ministro de Minas e Energia (MME), Alexandre Silveira, em outubro de 2025 para as controvérsias sobre as quatro usinas.

A pasta argumentou que a flexibilização contratual é “elemento-chave para preservar a eficiência do Sistema Interligado Nacional (SIN) em cenário de excedentes energéticos”, conforme informações do despacho.

O problema está relacionado ao cortes de geração (curtailment). O MME apontou ao TCU que a expansão das fontes renováveis com geração intermitentes (solar e eólica, por exemplo) gerou uma “sobreoferta estrutural” em determinados períodos do dia.

Isso tem resultado na necessidade de interromper frequentemente a geração de alguns empreendimentos.

Como há restrições do ponto de vista da infraestrutura de rede de transmissão, bem como na relação entre oferta e demanda, o Operador Nacional do Sistema (ONS) precisa de maior maleabilidade na gestão do “entra ou sai” em termos de geração de energia elétrica.

Porém, no caso das usinas da Eneva, a inflexibilidade na geração garante previsibilidade em relação aos contratos de combustível, além de assegurar receita estável aos geradores.

Por Renan Monteiro

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