Entre 2024 e 2026, os contratos no mercado livre de energia registram aumento de 59% para contratações de longo prazo e de 121% para compras com previsão de entrega em três meses, estima a Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia (Abraceel).
Em comunicado divulgado nesta quarta (1º/4), a associação aponta que escalada de preços nos anos recentes acende um sinal de alerta, pois pode afetar a decisão de milhões de consumidores, especialmente com os novos entrantes previstos para 2027 e 2028.
Hoje, os consumidores no ambiente livre já representam 42% de toda a eletricidade consumida em território nacional.
“Com o mercado livre atendendo a 42% da demanda de energia no Brasil e com previsão de atender a todos os consumidores, incluindo residenciais, a partir da lei 15.269 aprovada no final de 2025, é preciso o governo e a sociedade terem um olhar atento para o preço da energia sob pena de inviabilizar o setor produtivo do Brasil”, comenta Rodrigo Ferreira, presidente da Abraceel.
No estudo, a Abraceel mostra que, entre janeiro de 2024 e março de 2026, o preço da energia elétrica de longo prazo — contratos de energia convencional para os quatro anos subsequentes — passou de R$ 147 por MWh em 2024 para R$ 233 por MWh em 2026.
Outro parâmetro do mercado livre de energia, os preços trimestrais chegaram a R$ 317 por MWh em 2026, em comparação com R$ 143 por MWh em 2024.
A entidade explica que, essa escalada de preços segue o avanço do Preço de Liquidação de Diferenças (PLD), utilizado para valorar as operações no mercado de curto prazo, onde compradores e vendedores ajustam posições mensalmente.
O PLD médio sofreu uma elevação de 84% nesse período, passando de R$ 129 por MWh em 2024 para R$ 236 por MWh em 2026.
“Apesar do preço alto, o desarranjo setorial afastou significativamente novos investimentos em geração, principalmente em função de inconsistências que vêm sendo observadas nos modelos de formação de preços”, diz a associação em nota.
A Abraceel também avalia que há um elemento novo ocorrendo no setor: a escassez de oferta no mercado livre causada pelo GSF e curtailment, mas também por decisões comerciais de grandes grupos de geração.
“Cerca de um terço dos contratos de consumidores têm prazo de seis a dois anos e com esse patamar de preço, associado à crise de oferta e escassez de energia nova, esses consumidores livres ficarão expostos a preços impagáveis”, alerta Ferreira.
É preciso um olhar atento, inclusive da Agência Nacional de Energia Elétrica, para evitarmos artificialidades na formação do preço da energia, como poder de mercado e sobrecustos com a operação do sistema”, completa.
