Minerais críticos

Mineração precisa de tecnologia para evitar lacuna na oferta com eletrificação

Já há sinais de problemas de oferta no mercado de cobre em meados da próxima década, diz executiva da Rio Tinto

Diretora de Cobre da mineradora Rio Tinto, Katie Jackson, durante a CERAWeek 2026. Foto: Divulgação S&P Global
Diretora de Cobre da mineradora Rio Tinto, Katie Jackson, durante a CERAWeek 2026. Foto: Divulgação S&P Global

O aumento no consumo global de minerais críticos devido à eletrificação vai exigir a adoção de novas tecnologias e a intensificação da reciclagem para evitar problemas na oferta, apontaram executivas do setor durante a CERAWeek 2026 em Houston. 

A diretora de Cobre da mineradora Rio Tinto, Katie Jackson, lembrou que já há sinais de uma lacuna de oferta no mercado de cobre em meados da próxima década, o que indica que há espaço para projetos novos, assim como a extensão da vida útil de projetos existentes e o uso de soluções tecnológicas para o aumento da produção. 

“Os ciclos de investimento levam décadas, então precisamos de sinais de estabilidade dos governos para avançar com esses investimentos”, afirmou. 

Jackson citou a Argentina como um dos países que tem se esforçado para demonstrar estabilidade aos investidores, de modo a atrair projetos nos próximos anos. 

Os sinais de aumento da demanda por minerais críticos se intensificaram sobretudo com a ampliação da capacidade instalada de data centers, mas os produtores não estão conseguindo acompanhar, segundo a CEO da mineradora Freeport-McMoRan, Kathleen L. Quirk. 

“Nós não precisamos apenas manter os níveis atuais de extração e evitar o declínio, mas também ampliar a produção”, disse. 

Além dos data centers, os minerais críticos são insumos essenciais para baterias, turbinas eólicas, semicondutores, equipamentos eletrônicos e o avanço da inteligência artificial. 

Nesse contexto, Quirck lembrou que, historicamente, o consumo de minerais estava relacionado à expansão do PIB global, mas nas próximas décadas parte da demanda passará a ser menos cíclica e mais firme. 

“Nós vimos o que aconteceu com o setor de óleo e quando passou a adotar novas tecnologias e ocorreu a revolução do shale”, afirmou, citando a forte expansão na produção de petróleo e gás nos Estados Unidos após a adoção de técnicas de fracionamento hidráulico. 

Algumas das tecnologias que estão sendo usadas na indústria de mineração para ampliar a eficiência incluem automação, uso de veículos autônomos e de inteligência artificial.

A presidente de Recursos Industriais da Caterpillar, Denise Johnson, lembrou que isso leva tempo e que vai ser necessário adaptar a mão de obra. 

“Todas as conversas que temos com produtores envolvem tecnologia, em algum nível, e eles estão nos estimulando a avançar mais rápido”, disse. 

Debate envolve governos 

Durante o evento, o vice-secretário de Energia do Departamento de Energia dos EUA, James Danly, afirmou que o país está empenhado em fazer o que estiver ao seu alcance para eliminar as vulnerabilidades no setor de minerais críticos. 

A estratégia do governo de Donald Trump tem sido fechar cooperações bilaterais, em busca de reduzir a dependência da China, líder global na área.

Apenas este ano, os EUA fecharam acordos para minerais com Argentina, México, União Europeia e Japão.

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