O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) indeferiu, nesta quarta-feira (21/1), o pedido de licença prévia da Usina Termelétrica São Paulo, em Caçapava (SP), encerrando o processo de licenciamento ambiental.
O empreendimento da Termelétrica São Paulo Geração de Energia, tinha capacidade de geração prevista em 1,74 megawatts (MW),a partir de gás natural. Seria a maior térmica em funcionamento na América Latina.
Segundo o órgão, pendências técnicas impediram a avaliação sobre a viabilidade ambiental do projeto, como estudos considerados insuficientes para justificar o motivo pelo qual o local escolhido seria o mais adequado para a instalação da usina, além de análises “frágeis” sobre como a poluição do ar afetaria a região.
O Ibama apontou também falta de informações confiáveis sobre a quantidade de água disponível para o funcionamento do empreendimento e sobre os efeitos do aquecimento dessa água no meio ambiente.
Outros problemas incluem falhas na avaliação dos resíduos que seriam gerados pela usina, estudos incompletos sobre os impactos na fauna e na vegetação local, riscos tecnológicos pouco detalhados e efeitos sociais que não foram claramente apresentados.
A análise técnica do órgão também considerou insuficientes os programas ambientais propostos.
Além disso, a empresa apresentou certidão municipal de uso e ocupação do solo vencida, impossibilitando a comprovação da compatibilidade de instalação no local do empreendimento.
Instituto Arayara considera que decisão reforça o papel do licenciamento ambiental
Segundo o Instituto Arayara, a decisão do Ibama reforça o papel do licenciamento ambiental como instrumento técnico e preventivo.
“Há uma sinalização importante de que projetos desse tipo precisam ser analisados à luz do planejamento energético, da segurança hídrica e dos compromissos climáticos assumidos pelo país. O licenciamento não pode funcionar como mera formalidade”, disse o diretor-presidente do instituto, Juliano Bueno.
Segundo Bueno, o indeferimento da licença mostrou que o órgão manteve critérios técnicos rigorosos.
O diretor considera também que a decisão dialoga com o debate sobre o papel das termelétricas fósseis na matriz energética brasileira em meio ao planejamento da transição energética.
