O primeiro leilão de transmissão de energia de 2026, realizado nesta sexta (27/3) na sede da B3, em São Paulo, terminou com todos os cinco lotes arrematados e um deságio médio de 50,68% sobre a Receita Anual Permitida (RAP) máxima estabelecida pela Aneel — o maior percentual registrado para desde 2020, conforme a agência.
A diferença entre os valores ofertados e o teto da RAP, ao longo do prazo de validade dos contratos, será de R$ 7,6 bilhões. O diretor relator das regras leilão, Fernando Mosna, atribuiu o desempenho positivo à estratégia da agência de dividir lotes em sublotes, como ocorreu no lote 3.
Os vencedores foram a Engie Transmissão de Energia e a Cymi Construções e Participações, empresa brasileira do setor de infraestrutura.
Também arrematou um lote o consórcio BR2ET Transmissora, formado pelas empresas Raff Geração e Comércio de Energia Elétrica, Brasiluz Eletrificação e Eletrônica, Enind Energia e Participações e Brenergia Participações.
Veja os resultados:
A Engie levou os lotes 2 e 3. No lote 3, composto por quatro sublotes com projetos a serem instalados no Ceará e no Rio Grande do Norte. A empresa apresentou propostas individuais que ficaram abaixo da menor oferta feita para o lote completo pela Axia Energia (ex-Eletrobras), o que garantiu o arremate para a Engie.
A vencedora ofertou R$ 22,8 milhões pelo sublote 3A, R$ 20,6 milhões pelo 3B, R$ 39,6 milhões pelo 3C e R$ 21,6 milhões pelo 3D, resultando em deságio médio de 54,83%.
O lote 2, composto por instalações no Paraná e em Santa Catarina, teve como concorrentes Axia Energia Sul, Cox Brasil e Consórcio Paraná, com oferta vitoriosa de R$ 18.137.374,70 e deságio de 46,89%.
Dessa forma, o segundo parágrafo mantém todas as informações do lote 2, mas sem repetir “vitória da Engie”, já que o primeiro parágrafo já deixou claro que a empresa levou os dois lotes.
O lote 2, composto por instalações no Paraná e em Santa Catarina, teve como concorrentes Axia Energia Sul, Cox Brasil e Consórcio Paraná, com proposta ganhadora de R$ 18.137.374,70 e deságio de 46,89%.
A Cymi ficou com os lotes 1 e 5. O lote 5, com 505 quilômetros de linhas e três subestações, é o de maior extensão de rede e foi projetado para atender à região de Novo Progresso (PA) a partir de Cláudia (MT).
O lote 1, composto por instalações no Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais, teve três interessados: Consórcio Olympus, Axia Energia Sul e a vencedora Cymi, que ofertou R$ 46.611.311,00 em RAP, com deságio de 46,85%.
Já o lote 5, também vencido pela Cymi com oferta de R$ 91.194.333,00 e deságio de 50,89%, é composto por instalações em Mato Grosso e no Pará e teve como concorrentes Taesa, Celeo Redes Brasil, FIP Warehouse, EDP Energias do Brasil, Consórcio Olympus e Axia Energia Sul.
O consórcio BR2ET Transmissora venceu o lote 4, que prevê obras em Sergipe e no Nordeste da Bahia para ampliar a capacidade de transmissão na região, com oferta vitoriosa de R$ 25.563.777,00 e deságio de 37,89%, tendo como concorrentes Axia, Celeo Redes Brasil, Alupar e Consórcio Atlas.
Investimentos, prazos e empregos
Ao todo, segundo a Aneel, os empreendimentos contratados demandarão a construção e manutenção de 798 quilômetros de linhas de transmissão e a expansão de 2.150 MVA em capacidade de transformação, além da instalação de compensadores síncronos.
Os lotes estão distribuídos por 11 estados: Bahia, Ceará, Mato Grosso, Minas Gerais, Pará, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Sergipe, Santa Catarina e São Paulo.
O prazo para conclusão das obras varia de 42 a 60 meses, conforme a complexidade de cada projeto. A expectativa da Aneel é de geração de cerca de 8,5 mil empregos diretos e indiretos ao longo da execução dos empreendimentos.
Deságios e concorrência
O deságio médio do certame ficou em 50,68%, com variação entre os lotes. O lote 3 registrou o maior desconto individual, de 54,83% (considerando os sublotes), enquanto o lote 4 teve o menor, de 37,89%.
Segundo a Aneel, o certame contou com a participação de dez proponentes, incluindo empresas como Axia, EDP, Alupar, Taesa e um fundo do BTG. O edital previa inicialmente investimentos de R$ 5,7 bilhões em 888 quilômetros de linhas de transmissão, dos quais foram licitados 798 km, com investimentos contratados de R$ 3,3 bilhões — abaixo dos R$ 5,7 bi originalmente estimados.
Próximos leilões
O edital previa originalmente 12 lotes. O lote 6 foi retirado da oferta por pendências acerca de um distrato consensual e referia-se a linhas subterrâneas na Região Metropolitana de São Paulo. Os demais lotes — de 7 a 12 — serão licitados em uma segunda sessão, com data ainda a ser definida.
O Ministério de Minas e Energia (MME) já havia confirmado a realização de dois leilões de transmissão para 2026. O segundo certame, com previsão de mais de R$ 20 bilhões em investimentos e 3.500 km adicionais de redes, ainda não tem data marcada.
