BRASÍLIA — O Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) recomendou, na reunião na quarta-feira (14/1), a elaboração de um plano de ação para tratar das reduções de vazão mínima na bacia do Paraná.
O CMSE sinalizou que, a depender da evolução das condições hidrológicas no mês de fevereiro, poderá novas reduções na vazão mínima a partir de março de 2026, após o período de piracema.
Os órgãos e entidades relacionadas ao setor elétrico e águas farão o acompanhamento dos reservatórios, diante da sinalização de um período chuvoso com precipitação abaixo do esperado.
Segundo o CMSE, foram verificados armazenamentos equivalentes de 42%, 71%, 46% e 55% nos subsistemas Sudeste/Centro-Oeste, Sul, Nordeste e Norte, respectivamente, no mês passado.
Em janeiro, está vigente a bandeira tarifária verde, sem cobrança adicional. A decisão pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) interrompeu uma série de oito meses em que o país teve bandeiras tarifárias amarela ou vermelha.
Analistas já apontam que as bandeiras podem ser novamente acionadas a partir de fevereiro.
Para o cenário atual, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) destacou a manutenção das condições operativas e da contribuição eletroenergética da usina de Belo Monte para o Sistema Interligado Nacional (SIN).
O ONS conta, em seu planejamento, com a disponibilidade de geração considerando o atual hidrograma para o trecho de vazão reduzida da usina.
O Ministério de Minas e Energia (MME) afirmou que o tema vem sendo avaliado no âmbito do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE).
Distribuição das chuvas pelo país
Em dezembro, um ciclone extratropical e a passagem de frentes frias pelas regiões Sul e Sudeste contribuíram para registro de volume de precipitação superior à média nas bacias dos rios Jacuí, Uruguai e Paranapanema, favorecendo os reservatórios de Itaipu.
Também houve chuvas acima da média nas bacias dos rios Madeira e Tapajós, que abastecem as represas das hidrelétricas de Jirau e Santo Antônio. Nas demais bacias hidrográficas do SIN, a precipitação foi inferior à média.
Em relação à Energia Natural Afluente (ENA) — quantidade de água que chega aos reservatórios e pode ser convertida em energia elétrica — foram observados valores abaixo da média histórica para todos os subsistemas.
No SIN, o armazenamento de energia foi de aproximadamente 45% em dezembro
Transmissão, comercialização e desativação de térmicas
A expansão de capacidade instalada de geração centralizada de energia elétrica em dezembro de 2025 foi de 653 MW. Além disso, entraram em operação 1.702 km de linhas de transmissão e 867 MVA de capacidade de transformação.
No que diz respeito ao monitoramento da comercialização de energia, a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) informou que não houve inadimplência relativa ao GSF (Generation Scaling Factor, na sigla em inglês) na contabilização de novembro de 2025.
A CCEE atribui a regularidade ao sucesso do mecanismo concorrencial do GSF.
O GSF é um índice que mede a diferença entre a energia garantida contratada por usinas hidrelétricas e a energia que elas de fato conseguem gerar.
Com a efetiva ligação de Roraima ao SIN, o CMSE autorizou o início do processo de desativação das usinas termelétricas sob responsabilidade da distribuidora local.
