Cenário desafiador

Chuvas de fevereiro e março serão insuficientes para recompor reservatórios, diz Climatempo

Reservatórios do subsistema Sudeste/Centro-Oeste seguem em situação de atenção; atraso do período úmido se deve ao La Niña

Reservatório da hidrelétrica de Jupiá, operada pela CTG, localizada no rio Paraná, na divisa entre São Paulo e Mato Grosso do Sul (Foto Divulgação)
Reservatório da hidrelétrica de Jupiá, operada pela CTG, localizada no rio Paraná, na divisa entre São Paulo e Mato Grosso do Sul (Foto Divulgação)

Fevereiro e março devem ter um padrão mais chuvoso que janeiro, mas ainda insuficiente para a recomposição dos mananciais de hidrelétricas antes da chegada do período seco, prevê o Climatempo

“As chuvas previstas para este mês não devem ser suficientes para uma recuperação consistente dos reservatórios do Sudeste/Centro-Oeste, exigindo monitoramento constante das condições meteorológicas e hidrológicas”, disse a meteorologista e consultora para o setor elétrico do Climatempo, Marcely Sondermann. 

As chuvas de janeiro tiveram um impacto abaixo do esperado na recuperação dos reservatórios das hidrelétricas, segundo o Climatempo. Com isso, os reservatórios do subsistema Sudeste/Centro-Oeste seguem em situação de atenção.

“A chuva em janeiro teve baixa eficiência hidrológica (…), o que mostra piora no armazenamento em quase todos os subsistemas em comparação a janeiro de 2025”, disse Sondermann. 

Efeito do La Niña

Segundo a consultoria, o cenário é reflexo do fenômeno La Niña, que consiste na diminuição da temperatura da superfície das águas de parte do Pacífico e influenciou o clima do Brasil nos últimos meses.

Entre os efeitos do fenômeno está o atraso no início das chuvas.

O atraso no período úmido impactou as negociações de contratos, com aumento nos preços da energia.

Em janeiro, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) chegou a indicar que a situação era de “atenção” na operação dos reservatórios, mas indicou uma melhora no começo de fevereiro.

O nível dos reservatórios no subsistema Sudeste/Centro Oeste caiu de 62,02% para 46,1% nos últimos 12 meses.

Já no Norte, o volume dos reservatórios que em janeiro do ano passado estava em 80,33%, registra 58,05% de sua capacidade. No Nordeste, a redução foi superior a 17 pontos percentuais, ficando em 52% neste início de ano.

Os reservatórios do subsistema Sul foram os únicos que apresentaram uma leve recuperação, chegando a 62,05%, quando em janeiro do ano passado o índice estava em 51,24%. Entretanto, esse subsistema tem menor participação no armazenamento do país, não influenciando significativamente o cenário nacional, disse Sondermann. 

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