O Brasil tem grande geração de energia limpa e renovável, mas ainda precisa avançar na legislação e no estímulo à eficiência energética para melhorar o ambiente de negócios para o setor elétrico. Esse é o diagnóstico da GreenYellow, multinacional francesa.
Em entrevista coletiva a jornalistas brasileiros nesta quinta (19/9), o presidente da empresa no Brasil, Marcelo Xavier, defendeu maiores incentivos à eficiência energética.
Entre os entraves para os negócios em terras brasileiras estão a insegurança jurídica, o câmbio e a taxa de juros. Também há questões de infraestrutura a serem resolvidas.
“Seria importante uma melhoria na rede de distribuição. A gente vê muita perda e muita conexão longe, o que dificulta também toda a infraestrutura. O uso de uma digitalização maior da rede elétrica, por exemplo, para minimizar as perdas, para ter um consumo mais inteligente, utilizando inteligência artificial”, afirmou.
O presidente global da companhia, Otmane Hajji, afirma que o país ainda pode estimular mais a geração verde de energia.
“Na França, há uma nova lei que obriga todos os estacionamentos de mais de 1.500 metros quadrados a terem energia solar, até 2028. Na Europa, dois terços das superfícies onde se recupera energia é em telhados. Não é no solo, como no Brasil”, disse durante a coletiva.
A GreenYellow tem projetos na Espanha, Portugal, Hungria, Eslováquia, Sérvia, Tailândia e Vietnã. Na América do Sul, a empresa está presente também na Colômbia.
Em todo o mundo, a GreenYellow tem um estoque de geração de 1,5 gigawatts (GW), sendo 1,2 terawatt/hora (TWh) em projetos de eficiência energética.
A atuação no Brasil garante 20% da receita global, com projetos de geração distribuída, eficiência energética e mobilidade elétrica. A empresa atua no país há dez anos.
Entre os clientes brasileiros estão grandes empresas no segmento de varejo, shoppings, hotéis, mineração, indústria e logística.
A empresa tem como foco o apoio a projetos de infraestrutura, com serviços de geração fotovoltaica e eficiência energética. O presidente brasileiro explica que a GreenYellow presta consultoria na migração de clientes para o mercado livre e serviços associados.
“Em muitos casos, a gente encontra clientes que estão com uma gestão de energia deficitária. Ele está no mercado cativo, paga sob demanda e não tem nenhuma rastreabilidade com relação à energia renovável”, conta.
A empresa faz um diagnóstico das necessidades dos clientes e oferece opções para maior eficiência energética e economia de custos.
“Nós não vamos atuar simplesmente como uma migradora de cativo para o mercado livre, atuando com assinatura. Não é nosso negócio. Vamos propor soluções para as empresas de infraestrutura”, conclui.
“Nós não vamos atuar simplesmente como uma migradora de cativo para o mercado livre, atuando com assinatura. Não é nosso negócio. Vai se propor a solução de comercialização dentro de empresas de infraestrutura”, completa.