A Raízen entrou com pedido de recuperação extrajudicial. Segundo a companhia, o objetivo é assegurar um ambiente jurídico “estável, protegido e adequado” para a negociação e reestruturação de aproximadamente R$ 65,1 bilhões em dívidas sem garantia real.
De acordo com a lei, o grupo tem até 90 dias para obter o percentual mínimo necessário de credores signatários para homologação do plano de recuperação extrajudicial. A companhia já tem a assinatura de mais de 47% dos credores.
O plano pode incluir a capitalização do grupo pelos seus acionistas; a conversão das dívidas em ações da companhia; a substituição de parte das dívidas antigas por novas dívidas; reorganizações societárias; e venda de ativos.
As operações da companhia seguem normalmente.
Crise financeira
A empresa foi rebaixada por agências de classificação de risco e registrou prejuízo de R$ 15,6 bilhões no terceiro trimestre do ano passado.
A companhia é uma joint venture entre a Shell e a Cosan.
Entre os fatores que levaram à crise financeira da Raízen está a desaceleração na transição energética após a pandemia, combinada com a conjuntura dos mercados de etanol e açúcar, a expansão acelerada de linhas de negócio, a alta dos juros e o crescimento da alavancagem financeira da companhia, afirmou o CEO da Shell Brasil, Cristiano Pinto da Costa.
“O mundo não avançou com tanta velocidade quanto se esperava na transição energética, como consequência, a demanda pelo combustível não foi tão alta quanto a gente esperava”, disse a jornalistas no começo de março.
Segundo Pinto da Costa, a Shell chegou a oferecer um aporte de até R$ 3,5 bilhões de reais no processo de capitalização da companhia, mas esperava que a sócia disponibilizasse um valor similar, o que não ocorreu até o momento.
