Comércio varejista

Combustíveis ajudam a puxar queda no varejo em maio, diz gerente do IBGE

Impacto da paralisação de postos no Sudeste e menor volume de combustíveis vendidos agravam desempenho do setor em maio, segundo Cristiano Santos

Fila de carros durante abastecimento em posto de combustíveis, em São Cristóvão, na zona norte do Rio de Janeiro (Foto Tânia Rêgo/Agência Brasil)
Posto de combustíveis, em São Cristóvão, na zona norte do Rio de Janeiro (Foto Tânia Rêgo/Agência Brasil)

A queda de 1,7% no volume vendido de combustíveis ajudou a manter o comércio varejista no negativo na passagem de abril para maio.

O setor já tinha encolhido nos dois meses anteriores, março (-1%) e abril (-1,6%), impactado pelo fechamento de postos de combustíveis na região Sudeste, justificou Cristiano Santos, gerente da Pesquisa Mensal do Comércio, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

“A gente tem trajetória de queda nos últimos três meses para combustíveis e lubrificantes. Essa queda é basicamente de combustíveis, e tem ali um componente também de troca de algumas bandeiras (de postos)”, disse Santos. “Alguns postos já tinham fechado, isso também diminui o volume (de vendas).”

Também registraram perdas em maio ante abril as atividades de outros artigos de uso pessoal e doméstico (-2,1%) e livros e papelaria (-2%).

No entanto, houve disseminação de resultados positivos no mês, com cinco dos oito segmentos varejistas registraram expansão nas vendas: equipamentos de informática e comunicação (3%), Móveis e eletrodomésticos (2%), artigos farmacêuticos e de perfumaria (1,7%), vestuário e calçados (1,1%) e supermercados (0,4%).

Segundo o pesquisador do IBGE, a trégua do dólar beneficiou, sobretudo, a atividade de equipamentos de informática e comunicação, mas teve resquícios positivos também na parte de vestuário e calçados importados e alguns artigos farmacêuticos.

“Mas o principal impacto do dólar é nessa parte de informática e comunicação”, afirmou.

Santos mencionou que o Dia das Mães neste ano não se traduziu em impacto expressivo nas vendas do varejo.

“O Dia das Mães acaba não tendo impacto muito forte. A gente entende que essa é uma data importante, mas não houve uma movimentação nos dados com impacto expressivo”, disse ele.

Quanto ao bom desempenho de artigos farmacêuticos, ele menciona que o setor tem exibido novo ano de crescimento, apoiado também numa expansão “constante do número de estabelecimentos”, de farmácias. “Isso continua acontecendo no ano de 2025”, contou.

O segmento de artigos farmacêuticos operava em maio em patamar recorde na série histórica da pesquisa, assim como o de supermercados. Ambas as atividades têm dado sustentação às vendas no varejo próximas ao pico histórico.

“Em alguns momentos também ajudando a acelerar e chegar no topo, e depois também tendo esse efeito âncora e segurando esse indicador em patamar elevado”, confirmou Santos.

Por Daniela Amorim 

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