LYON (FR) — A Vast e a Be8 assinaram, nesta semana, um acordo para desenvolver o mercado de biocombustíveis para o setor marítimo no Terminal de Líquidos do Açu (TLA), no Porto do Açu, no Rio de Janeiro.
Segundo maior em movimentação de embarcações no país, o Açu registrou a movimentação de cerca de 7,3 mil navios em 2024.
Com a assinatura do memorando de entendimento (MoU, em inglês), a Vast, companhia de infraestrutura e soluções logísticas, se compromete a fornecer a infraestrutura no TLA para receber, armazenar e expedir matérias-primas e biodiesel, além de conectar a Be8 às distribuidoras de combustíveis e aos clientes do porto.
Segundo Erasmo Carlos Battistella, presidente da Be8, a parceria com a Vast permitirá à companhia trabalhar com o biodiesel, que pode ser misturado ao bunker ofertado aos navios, além de seu novo biocombustível, patenteado como Be8 Bevant.
No final de 2023, a produtora de biodiesel lançou o biocombustível que utiliza biodiesel como matéria-prima, mas tem a característica drop-in do diesel verde (HVO), com a promessa de preços mais competitivos que o HVO.
Battistella explica que o produto é voltado para empresas que consomem grandes volumes de combustíveis fósseis e que querem reduzir as emissões de gases do efeito estufa (GEE) a partir da substituição do diesel.
O acordo prevê ainda estudos para avaliar se o Açu poderá ser uma alternativa para importação de metanol para produção de biodiesel, além de um novo ponto para exportação e cabotagem do produto final.
“O Porto do Açu tem um papel relevante para fomentar a descarbonização do setor marítimo no Brasil. A Vast quer contribuir com duas trilhas principais: uma focada em prover combustíveis e misturas de baixo carbono e outra oferecendo alternativas de eletrificação para embarcações atracadas — iniciativa que já está sendo adotada desde 2024 em rebocadores que atuam no Terminal de Petróleo (T-Oil) da Vast”, diz o diretor comercial da empresa, Eduardo Goulart.
Em 2024, a companhia anunciou a construção do terminal de tancagem com foco em combustíveis marítimos e biocombustíveis.
O plano é oferecer um leque de opções de abastecimento para os navios que exportam o petróleo brasileiro, incluindo misturas entre fósseis e renováveis, de modo a reduzir a pegada de carbono na navegação.
O TLA está previsto para entrar em operação a partir do final de 2025 com capacidade para 80 mil metros cúbicos de combustíveis. A intenção é expandir o projeto em fases, com a possibilidade de chegar a 300 mil metros cúbicos.