Produtores de biodiesel divulgaram uma nota na noite desta quinta (12/3) cobrando o início dos testes que validam misturas superiores a 15% do combustível renovável ao diesel.
Formada por Aprobio (biodiesel) e Abiove (óleos vegetais), a AliançaBiodiesel afirma que o setor mantém hoje capacidade instalada para atender uma mistura de até 21,6% de biodiesel ao diesel fóssil. Os produtores querem avançar para 16% ainda este ano.
A nota é uma resposta à manifestação do Ministério de Minas e Energia (MME), que negou a possibilidade de dar aval ao aumento da mistura de biodiesel ao diesel de forma imediata antes da realização dos testes com B20 e B25.
Em evento no Palácio do Planalto nesta quinta, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD), disse que qualquer aumento na mistura precisa ser embasado por análises técnicas e não pode resultar em prejuízos ao consumidor.
“Não temos problemas em testar o biodiesel em misturas maiores, no entanto, o governo federal precisa iniciar o processo que já tem atraso considerando que neste mês de março já devíamos estar em B16”, comenta Jerônimo Goergen, presidente da Aprobio.
“O setor está disponível inclusive para ajudar a financiar o custo da testagem, já que temos interesse no aumento da mistura. De qualquer forma, neste momento, o interesse maior da economia nacional em razão da crise é ampliar o quanto antes a participação do biodiesel”, completa.
Sancionada em outubro de 2024, a Lei do Combustível do Futuro criou no setor a expectativa de avanço da mistura de biodiesel para 16% (B16) este ano, seguindo um cronograma de aumento de 1% ao ano do biocombustível para chegar a B20 até 2030.
Essa elevação depende, no entanto de uma decisão do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), condicionada à validação do uso nos motores por meio de testes. O grupo de trabalho para avaliar as novas misturas foi criado no final de 2025.
Ontem (11), a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) e um grupo de 43 entidades representativas do agronegócio e da agroindústria entregaram ao governo federal uma carta aberta pedindo a “imediata elevação do percentual de mistura obrigatória de biodiesel no diesel para 17%“.
As organizações defendem o biocombustível derivado de óleos vegetais e gorduras como uma ferramenta para reduzir a dependência externa e conter a alta dos preços.
O petróleo Brent para maio subiu 9,21% (US$ 8,48), a US$ 100,46 o barril, nesta quinta-feira (12/3), à medida que crescem as tensões acerca da navegabilidade no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas globais de escoamento da commodity.
