Opinião

Nota de Eficiência Energético Ambiental: um número que salva vidas

Reduzir emissões significa reduzir poluentes locais, melhorar a qualidade do ar e mitigar riscos associados à saúde pública, escreve André Lavor

André Lavor, CEO e cofundador da Binatural
André Lavor, CEO e cofundador da Binatural

A transição energética muitas vezes é apresentada como um debate distante, cercado de conceitos técnicos e metas abstratas. No entanto, o Brasil construiu, ao longo dos últimos anos, um dos instrumentos mais sofisticados do mundo para transformar essa agenda em decisões concretas, mensuráveis e comparáveis.

A Nota de Eficiência Energético Ambiental (NEEA), no âmbito do RenovaBio, é um exemplo claro de como política pública bem desenhada gera resultados reais.

A NEEA não é apenas um indicador ambiental. Ela é um mecanismo de governança que mede, de forma padronizada e auditável, o desempenho dos biocombustíveis ao longo de todo o seu ciclo de vida, da produção da matéria-prima ao uso final, comparando sua intensidade de carbono com a dos combustíveis fósseis.

Quanto maior a nota, maior a eficiência na redução de emissões por unidade de energia gerada.

Esse modelo representa um dos maiores avanços brasileiros em política pública para a transição energética e já é referência internacional.

Programas globais, como o Corsia, adotam princípios e metodologias semelhantes ao RenovaBio, reconhecendo a solidez do seu desenho técnico. Ao invés de tratar os biocombustíveis de forma homogênea, o programa diferencia quem entrega maior eficiência ambiental, criando sinais claros para investimento, inovação e melhoria contínua. 

A metodologia RenovaCalc, utilizada no cálculo da Nota de Eficiência Energético-Ambiental, integra dados agrícolas, industriais, logísticos e de uso final, traduzindo essas informações em intensidade de carbono por megajoule de energia. O resultado é um sistema robusto, transparente e alinhado às melhores práticas internacionais.

Os impactos dessas escolhas vão além do balanço climático. Reduzir emissões significa reduzir poluentes locais, melhorar a qualidade do ar e mitigar riscos associados à saúde pública.

Em um cenário global marcado por eventos climáticos extremos cada vez mais frequentes e custos econômicos elevados, políticas que induzem eficiência deixam de ser apenas ambientais e passam a ser instrumentos de gestão de risco e de desenvolvimento.

É nesse contexto que o biodiesel brasileiro se destaca.

A NEEA permite comprovar isso com dados, não com discurso. A partir dos critérios do RenovaBio, é possível identificar usinas e grupos empresariais que operam com níveis de eficiência ambiental muito superiores à média do setor energético.

Atualmente, o RenovaBio conta com mais de 340 usinas de biocombustíveis certificadas, o que permite uma comparação objetiva de desempenho ambiental em escala nacional.

Dentro desse universo, há produtores que operam com níveis de eficiência muito superiores à média. Um exemplo é a Binatural, cuja certificação indica uma intensidade de carbono em torno de 5,25 gCO₂eq/MJ decorrente de uma NEEA 81,25 gCO₂eq/MJ resultado de decisões industriais, logísticas e de originação de matérias-primas orientadas por eficiência e rastreabilidade.

Esses indicadores são públicos, auditados e comparáveis, exatamente como prevê o desenho do programa.

Quando observados na prática, esses níveis de eficiência se traduzem em impacto climático concreto.

Biodiesel produzido sob essas condições pode reduzir em até 94% as emissões de CO₂ em relação ao diesel fóssil. No caso da Binatural, mais de 2,8 bilhões de litros produzidos ao longo de duas décadas permitiram evitar cerca de 9 milhões de toneladas de CO₂, um volume comparável ao plantio de centenas de milhões de árvores.

São números que ajudam a dimensionar como métricas bem calibradas transformam eficiência energética em benefício ambiental mensurável.

Esse desempenho não é mérito isolado. Ele é consequência direta de um programa que reconhece quem investe em eficiência real.

Ao criar um ambiente regulatório previsível, técnico e baseado em dados, o RenovaBio permite que empresas planejem, invistam e evoluam continuamente, ao mesmo tempo em que contribuem para os objetivos climáticos do país.

Ao longo de sua trajetória, o programa consolidou-se como uma política pública moderna, capaz de alinhar interesses ambientais, econômicos e sociais.

Ele fortalece a indústria nacional, reduz a dependência de combustíveis fósseis, estimula cadeias produtivas mais sustentáveis e entrega benefícios que se refletem na economia, na saúde e na qualidade de vida da população.

Escolher biocombustíveis mais eficientes, portanto, não é apenas uma decisão empresarial ou operacional. É uma escolha de país.

Instrumentos como a Nota de Eficiência Energético Ambiental mostram que é possível avançar na transição energética com seriedade técnica, previsibilidade regulatória e resultados concretos.

Quando a política pública é aplicada desta forma, eficiência deixa de ser exceção: ela passa a ser o padrão.

André Lavor é CEO e cofundador da Binatural. Ele é Administrador de Empresas com especialização na Columbia University, Stanford University, FGV e Fundação Dom Cabral. Possui um histórico comprovado de 25 anos liderando empresas de agronegócio e energia no país, sendo considerado um dos mais jovens empresários e empreendedores nesta área de atuação. Liderou projetos ousados, apoiando a indústria brasileira de biodiesel em seus estágios iniciais, desenvolvendo ações de preservação do meio ambiente e fortalecimento da Agricultura Familiar em nosso país, apoiando a transformação da matriz energética brasileira.

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