Mercado de combustíveis

Estoque de etanol bate mínima de 6 anos, mas importação e milho evitam escassez

Importações, projeção de safra recorde e etanol de milho seguram abastecimento

Maria Ligia Barros é a responsável pela precificação de etanol da Argus (Foto: Divulgação)
Maria Ligia Barros é a responsável pela precificação de etanol da Argus (Foto: Divulgação)

Os estoques de passagem de etanol no Centro-Sul atingiram o menor nível em 6 anos (1,79 mi m³). Contudo, compras antecipadas no exterior e a produção contínua do etanol de milho garantem o abastecimento, enquanto o setor projeta uma safra recorde.

Os estoques de passagem de etanol no Centro-Sul são os mais baixos em seis anos, mas compras antecipadas e a perspectiva de oferta recorde do biocombustível tendem a manter evitar choques no abastecimento, segundo análises da Argus. 

Esses estoques de passagem, volume armazenado pelas usinas na entressafra, somam 1,79 milhão de m³ este ano, uma queda de 28% em relação à safra anterior. 

“O mercado se preparou e fez bastante importações nesse período de entressafra. Primeiro, por uma questão de preço, porque estava favorável”, explica a responsável pela precificação de etanol da Argus, Maria Ligia Barros.

As importações foram beneficiadas pelo aumento do preço doméstico, levando a uma janela favorável na véspera da entressafra, explicou. 

Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o Brasil importou 213,2 mil m³ de etanol nos meses de janeiro e fevereiro. 

Do início da safra de cana 2025/2026, em abril do ano passado, até 27 de março deste ano, o aumento no preço do produtor foi de aproximadamente 7,66%, indo de R$ 2,7398/litro para R$ 2,9496/litro, segundo dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Universidade de São Paulo (Cepea da Esalq/USP).

De acordo com Ligia Barros, há uma projeção de produção recorde de etanol no Centro-Sul durante a safra de 2026/2027, que pode alcançar 36,9 milhões de m³, um crescimento de 9,82% com relação à safra 2025/2026, estimada em 33,6 milhões de m³.

Além disso, a entressafra é de cana-de-açúcar, enquanto o etanol de milho tem mantido a constância de produção. “Como o etanol de milho tem crescido muito, esses volumes também estão sendo resgatados no mercado”, disse Barros.

Além da influência da seca de 2024, que piorou a produtividade dos canaviais na safra 2025/2026, a alta do preço da gasolina, devido ao conflito no Oriente Médio, passou a favorecer o consumo do etanol hidratado em alguns locais do país.

Lígia Barros lembrou que o consumo do biocombustível foi a elevação do teor obrigatório de etanol anidro na gasolina de 27% para 30% (E30), desde agosto do ano passado.

Em resposta a disparada de preços dos combustíveis e um sentimento inicial que o fechamento do Estreito de Ormuz poderia levar a problemas no abastecimento de gasolina, produtores de etanol propuseram ao governo a elevação da mistura para 32% (E32).

Contudo, os testes previstos para homologar a mistura até 35% ainda estão sendo preparados, prejudicando o pleito, como mostrou a eixos.       

Desde o início da guerra, iniciada pelos EUA e Israel contra o Irã, em 28 de fevereiro, o preço da gasolina no Brasil subiu 11%, indo de R$ 6,28 para R$ 6,98. Já o diesel subiu 24,3%, indo de R$ 6,09 para R$ 7,57. Os dados são Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e foram divulgados na sexta-feira (27/3).

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