Acima do cronograma

CNA pede avanço da mistura de biodiesel para 17% em meio a alta do petróleo

Organização do agro pede avanço imediato para B17, como estratégia de mitigação de impactos da guerra sobre preço do diesel

Governo coloca em consulta pública metas anuais obrigatórias de descarbonização do RenovaBio para 2025. Na imagem: Trabalhador em operação de usina de biodiesel da Oleoplan (Foto Divulgação Ubrabio)
Trabalhador em operação de usina de biodiesel da Oleoplan | Foto Divulgação Ubrabio

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) solicitou, ao Ministério de Minas e Energia (MME), o aumento urgente da mistura obrigatória de biodiesel ao óleo diesel no país, dos atuais 15% para 17% (B17), diante da escalada recente dos conflitos no Oriente Médio e seus impactos sobre o mercado de petróleo.

No ofício encaminhado ao ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD), nesta sexta (6/3), a entidade menciona a alta acumulada de 20% no preço do barril em relação ao final de fevereiro.

Nesta sexta, o Brent chegou a ser cotado acima de US$ 94 o barril, enquanto WTI alcançou US$ 92, depois de uma semana do ataque dos EUA e Israel ao Irã, e o escalonamento da guerra a outros países do Oriente Médio, com o bloqueio do Estreito de Ormuz. 

A organização também usa como referência episódios recentes de tensões globais decorrentes de conflitos bélicos, como a guerra entre Ucrânia e Rússia em 2022, quando o preço do Brent chegou a subir 40% no primeiro semestre, levando ao aumento médio nos preços de distribuição e revenda do diesel da ordem de 21% e 23%, respectivamente.

“Nesse contexto, em antecipação aos eventuais impactos à população brasileira, o avanço da mistura de biodiesel representa medida importante e sustentável para ampliar a oferta de combustível no mercado doméstico, reduzir pressões sobre os custos logísticos e fortalecer a segurança energética nacional”, explica no ofício assinado pelo presidente da CNA, João Martins.

A Confederação ressalta ainda que o atraso na implementação do B16 (16% de biodiesel), prevista para 1º de março de 2026, já é um fator de redução do potencial de amortecimento de crises oferecido pelo combustível produzido no país a partir de óleos vegetais e gorduras.

“No entanto, no novo quadro da geopolítica mundial, o avanço imediato para 17% (B17) surge como medida razoável para a realidade nacional”, ressalta Martins.

Segundo a organização que representa o agro, com a soja em plena safra e amplo potencial de abastecimento das indústrias esmagadoras, “o biodiesel torna-se uma alternativa com preço competitivo e com potencial de frear eventuais escaladas de preços para os usuários do transporte no País, incluindo o agronegócio”.

Aumento de mistura depende do CNPE

Três frentes parlamentares do agronegócio divulgaram um manifesto na quarta-feira (4/3) defendendo a elevação da mistura para 16% de biodiesel no diesel (B16). 

O segmento afirma que a elevação do uso do biodiesel pode diminuir a dependência da importação de combustíveis e minimizar a exposição cambial.

O aumento já está previsto na Lei do Combustível do Futuro, mas depende do aval do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE). A próxima reunião do colegiado está prevista para este mês.

O manifesto é assinado pelo presidente da Frente do Biogás e Biometano e coordenador da Coalizão pelos Biocombustíveis, deputado Arnaldo Jardim (Cidadania/SP); pelo presidente da Frente do Biodiesel, deputado Alceu Moreira (MDB/RS); e pelo presidente da Frente Agropecuária, deputado Pedro Lupion (Republicanos/PR).

“A elevação da mistura para o B16 é absolutamente necessária neste momento de instabilidade internacional. Cada ponto percentual adicional de biodiesel reduz a necessidade de importação de diesel fóssil, diminui a exposição cambial, amplia a segurança energética e fortalece a produção nacional”, diz o grupo de parlamentares.

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