LYON (FR) — A Be8 planeja fazer a primeira grande exportação de biodiesel para a Califórnia neste ano, afirmou à agência eixos o presidente da companhia, Erasmo Carlos Battistella.
A produtora de biocombustíveis divulgou, nesta quinta-feira (3/4), que sua unidade de Passo Fundo (RS) se tornou a primeira empresa da América do Sul a receber a certificação da California Air Resources Board (Carb) para fazer a comercialização para o estado norte-americano.
“Esta é, sem dúvida, mais uma conquista histórica para a Be8, porque o Carb é a agência de controle de qualidade do ar da Califórnia responsável por uma regulamentação ambiental extremamente rigorosa e reconhecida como uma das mais restritivas do mundo”, comemora.
Para a companhia, a certificação abre as portas para o mercado californiano, um dos mais estratégicos e exigentes do setor, o que amplia também o leque de possibilidades de destinação do biocombustível.
Hoje, a produção de biodiesel no Brasil é focada no atendimento da demanda nacional e depende dos mandatos de mistura com o diesel fóssil para crescer.
O anúncio da Be8 chega um dia após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar a taxação de 10% sobre as exportações brasileiras, como parte do pacote de iniciativas protecionistas que inclui a adoção de tarifas de reciprocidade, com alíquotas equivalentes àquelas dos parceiros comerciais.
A tarifa é a mais baixa aplicada pelo governo estadunidense e a mesma adotada para o Reino Unido. Para os países da União Europeia, a taxação será de 20%, e, para a China, 34%.
Tarifa de Trump deve ter efeito limitado sobre biocombustíveis
O imposto, a princípio, não afeta os planos de produtora de biodiesel de Passo Fundo.
“A questão afeta todos os países, e Brasil está no grupo menos afetado”, comenta o presidente da Be8.
Reflete outras análises do mercado. A Argus, por exemplo, avalia que a taxação deve ter um efeito limitado sobre o setor de biocombustíveis.
Desde 2023, não há nenhum fluxo de comércio de biodiesel entre Brasil e Estados Unidos.
Já no caso do etanol, apenas 0,8% da produção nacional foi exportada para os EUA em 2024 e ela teve uma participação quase nula no suprimento doméstico, aponta a consultoria.
Anteriormente, a tarifa era de 2,5%, enquanto no Brasil é de 18% sobre o produto estadunidense.
A exportação foi destinada principalmente para o estado da Georgia em 2024, onde o produto é usado para a produção de combustível sustentável de aviação (SAF, na sigla em inglês).
Nos anos anteriores, a Califórnia foi um dos principais destinos do etanol de cana-de-açúcar brasileiro, por conta do prêmio dado ao etanol brasileiro pelo Carb.