Mapa do Caminho

Agro lança coalizão pelos biocombustíveis de olho em políticas climáticas

Coalizão será chefiada pelo deputado Arnaldo Jardim, com atuação parlamentar e trajetória ligada aos biocombustíveis

Deputado Arnaldo Jardim (Cidadania/SP). Foto: Mario Agra / Câmara dos Deputados
Deputado Arnaldo Jardim (Cidadania/SP). Foto: Mario Agra / Câmara dos Deputados

Executivos do setor de biocombustíveis e frentes parlamentares ligadas ao setor e ao agronegócio se reuniram em Brasília (DF) nesta quarta-feira (4/2) para lançar a Coalizão pelos Biocombustíveis.

A iniciativa será coordenada pelo deputado Arnaldo Jardim (Cidadania/SP), que irá se despedir da Câmara dos Deputados ao fim do mandato, em fevereiro de 2027, para chefiar a coalizão.

A Coalizão pelos Biocombustíveis foi criada pelas Frentes Parlamentares da Agropecuária (FPA), do Biodiesel (FPBio), do Etanol (FPEtanol) e da Economia Verde.

O objetivo é consolidar o Brasil na liderança global em energia e combustíveis renováveis, enquanto posiciona o agronegócio como um fornecedor de soluções para a transição energética.

Dentre as diretrizes estão o fortalecimento tecnológico; o reconhecimento de que é possível produzir biocombustíveis sem comprometer a oferta de alimentos; a adoção do ciclo de vida completo dos biocombustíveis, do berço ao túmulo; a amplificação da oferta de linhas de financiamento específicas; e a valorização de modelos produtivos baseados em economia circular, com incentivo à logística reversa.

Jardim será o responsável por tocar a agenda dos biocombustíveis perante os compromissos firmados durante a COP30.

Uma das primeiras frentes de trabalho deve ser o Mapa do Caminho para o afastamento dos combustíveis fósseis, iniciativa assumida pelo presidente da COP30, André Corrêa do Lago, no final do ano passado, quando a cúpula climática não conseguiu chegar a um consenso sobre o tema.

As sugestões serão formalizadas após reunião com Corrêa do Lago em 9 de março. Antes disso, em 25 de fevereiro, as frentes ligadas ao tema farão um novo evento com agentes do setor na Câmara dos Deputados.

“O Mapa do Caminho é toda uma rota, do ponto de vista não só quantitativo, de metas, que é fundamental, mas do ponto de vista de inovação tecnológica, de parceria em pesquisa. Biocombustível não é só substituição do fóssil, mas é estruturante de uma política de desenvolvimento do Brasil”, afirmou o parlamentar.

Paralelamente, a coalizão está elaborando sugestões para contribuir com as diretrizes encomendadas pelo presidente Lula (PT) para o mapa do caminho brasileiro.

Também está no radar a discussão na Organização Marítima Internacional (IMO, em inglês) de uma política de precificação de emissões e estímulo à adoção de combustíveis marítimos por grandes embarcações.

Segundo Jardim, o Brasil está ativo nesse debate, levando estudos que demonstram a viabilidade de inserir alternativas como etanol e biobunker na transição energética dos navios.

A intenção é posicionar os biocombustíveis, enquanto os derivados de hidrogênio verde (amônia e metanol) vão construindo escala e competitividade.

Ele citou que o mercado dos combustíveis renováveis é um dos quais o país tem predominância e influência global e, por isso, foi incentivado em novas legislações, como a Nova Indústria Brasil e o Combustível do Futuro.

Um dos pontos de resistência internacional foi também um dos mais destacados durante o evento de lançamento: o dilema da competição entre combustíveis e alimentos.

O consenso no setor é de que essa questão não se aplica ao Brasil, que possui até três safras por ano — a depende da cultura — enquanto países europeus, por exemplo, produzem apenas uma.

“A economia circular dos biocombustíveis é de tamanha complexidade, que começa num cantinho longínquo qualquer, num grão de milho ou se soja, e acaba na mesa de alguém em qualquer lugar do mundo”, discursou o o deputado Alceu Moreira (MDB/RS), presidente da FPBio.

“O problema é que se uma dessas engrenagens quebrar, nós teremos problemas graves. Onde poderíamos, por exemplo, usar todo o DDG [resíduo rico em proteínas, destinado à alimentação animal] que vamos produzir daqui para a frente? E o farelo de soja? Como vamos fazer se não vendermos a proteína”, questionou.

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