A Shell Brasil e o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI) formalizaram nesta quinta (9/4) o lançamento do Centro de Inovação Biotecnológica para Recuperação de Áreas Degradadas (Cibrad) na Amazônia.
O objetivo é executar pesquisas em parceria com startups e empresas para acelerar o desenvolvimento de tecnologias para soluções baseadas na natureza.
Com investimento inicial de R$ 18,7 milhões da Shell Brasil, via cláusula de PD&I da ANP, o Cibrad integrará pesquisa científica, desenvolvimento tecnológico e inovação no espaço sediado no Inpa, em Manaus.
Fortalecer cadeias produtivas de espécies nativas, conservar recursos genéticos e estimular novos negócios ligados à restauração florestal e ao mercado de carbono estão na lista de atividades.
A iniciativa também prevê a modernização da infraestrutura de pesquisa do Inpa.
O Cibrad reúne um consórcio de projetos com instituições de pesquisa dos nove estados da Amazônia Legal.
Entre as iniciativas estão o NanoRad’s 2.0, que aplica abordagens bio e nanotecnológicas para acelerar plantios florestais, e o Amazon GeneBank, dedicado ao apoio a programas de melhoramento genético e à conservação de sementes e microrganismos da região.
“Com o Cibrad, estamos dando um passo além: sistematizar a pesquisa associada a plantios florestais com um objetivo maior, que é estruturar cadeias produtivas baseadas em espécies nativas”, conta o diretor do Inpa, Henrique Pereira.
“Isso envolve avançar em uma silvicultura de alta performance e conectar esse conhecimento a agendas estratégicas, como o mercado de carbono. Esse alinhamento é fundamental para o que esperamos construir nas próximas décadas na Amazônia”, completa.
As pesquisas abrangem dez espécies florestais amazônicas de elevado potencial para restauração, como castanheira, andiroba, cumaru, mogno, copaíba e seringueira.
Além dos projetos conduzidos no âmbito do Inpa, o Cibrad também conecta iniciativas desenvolvidas em parceria com startups como Krilltech e Bioflore, ampliando o potencial de aplicação prática das pesquisas e fortalecendo o ecossistema de inovação voltado à restauração florestal na Amazônia.
A Amazônia tem cerca de 20% de áreas desflorestadas, equivalente a 1 milhão de quilômetros quadrados.
“O Cibrad se propõe a implementar não só o processo de domesticação de novas espécies, mas também de espécies que já têm cadeias produtivas consolidadas. Isso significa trazer processos de melhoramento genético, número de propágulos o suficiente para reflorestar grandes áreas e impactar não só o mercado de carbono, mas a indústria de produtos e processos”, detalha o coordenador do Cibrad e pesquisador do Inpa, José Francisco de Carvalho Gonçalves.
A coordenação dos projetos será acompanhada por um Conselho Diretor e supervisionada por um comitê técnico-científico composto por pesquisadores, cientistas e profissionais das empresas parceiras, assumindo uma governança moderna e identificada com os mais elevados princípios de transparência e compliance.
