A Vale anunciou nesta quinta (9/4) um acordo com a Shandong Shipping Corporation para afretamento de navios movidos a etanol. As embarcações serão entregues a partir de 2029.
O acordo marca a introdução do biocombustível no frete transoceânico de minério de ferro.
De acodo com a mineradora, o uso do etanol como combustível principal tem potencial para reduzir as emissões de carbono em cerca de 90% em comparação com o uso de óleo combustível pesado, comumente utilizado na navegação.
“A iniciativa reforça o compromisso da Vale de reduzir suas emissões de carbono na cadeia de valor e promover a descarbonização no setor marítimo, em linha com as discussões em andamento na Organização Marítima Internacional (IMO, em inglês)”, disse a companhia em nota.
Responsável por cerca de 80% do frete internacional e 3% das emissões de gases de efeito estufa, o transporte marítimo chegou a um acordo histórico em abril de 2025 para estabelecer padrões obrigatórios de combustível e introduzir um mecanismo de precificação de carbono.
O tratado da IMO ainda depende de uma ratificação, adiada para outubro deste ano, após pressão contrária dos EUA.
Estratégia multicombustível
O acordo entre Vale e Shandong inclui contratos de 25 anos para a construção de dois navios, com opção para mais embarcações do tipo Guaibamax, que serão equipadas, ainda, com cinco velas rotativas — que utilizam energia eólica para reduzir o consumo de combustível.
A adoção das embarcações com 340 metros de comprimento e capacidade de 325 mil toneladas integra a estratégia multicombustível da mineradora brasileira.
Além de etanol, estas embarcações poderão utilizar metanol e óleo pesado, incluindo ainda um design que prevê a possibilidade de conversão para o uso de gás natural liquefeito (GNL) ou de amônia.
Os novos navios movidos a etanol serão semelhantes a outros dez navios bicombustíveis (metanol e óleo pesado) que serão entregues pela Shandong para a Vale a partir de 2027.
Considerando o ciclo completo do combustível do poço ao hélice (well-to-wake), o etanol pode representar uma redução de aproximadamente 90% (no caso de etanol de segunda geração) nas emissões de carbono em comparação com o óleo pesado, aponta a companhia.
Essas tecnologias e combustíveis alternativos estão sendo testadas no programa Ecoshipping, uma iniciativa de pesquisa e desenvolvimento da Vale voltada para a descarbonização da indústria marítima.
Além do transporte marítimo, a adoção do etanol na logística da mineradora inclui testes em caminhões nas operações e em locomotivas da Ferrovia Vitória a Minas (EFVM).
