Eleições 2026

Minerais críticos: Lula diz que Flávio Bolsonaro e Caiado vão “vender o Brasil”

O petista também criticou o que chamou de postura subserviente de parte da oposição em relação aos Estados Unidos

Minerais críticos: Lula diz que Flávio Bolsonaro e Caiado vão “vender o Brasil”

O presidente Lula (PT) reforçou nesta quarta (8/4) as críticas contra possíveis adversários na disputa presidencial de 2026 ao acusar o senador Flávio Bolsonaro (PL/RJ) e o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), de atuarem como “entreguistas” das riquezas minerais brasileiras. 

Em entrevista ao Instituto Conhecimento Liberta (ICL), Lula afirmou que ambos defendem a exportação de minerais críticos para os Estados Unidos sem agregar valor no país.

“Ele quer vender para os Estados Unidos uma coisa que é tão importante para o Brasil Como se eu pegasse o petróleo e falasse que o petróleo não precisa ser meu, vai ser dos Estados Unidos”, disse o presidente, ao se referir a Flávio Bolsonaro. 

Sobre Caiado, criticou um acordo firmado entre Goiás e os EUA para exploração de terras raras no estado. O caso, inclusive, deve ser judicializado, depois que a deputada Dandara Tonantzin (PT/MG) pediu que a Procuradoria-Geral da República (PGR) apure suposta inconstitucionalidade do acordo.

“É uma vergonha (…) O Caiado fez um acordo com empresas americanas, fazendo concessão de coisa que ele não pode fazer, porque é da União”, disse Lula.

O presidente afirmou ainda que, se não houver vigilância, “essa gente vai vender o Brasil”. 

O petista também criticou o que chamou de postura subserviente de parte da oposição em relação aos Estados Unidos. 

“Depois de levar o nosso ouro, depois de levar a nossa prata, depois de levar o nosso diamante, depois de levar a nossa floresta, o que eles querem mais?”

As declarações ocorrem em meio à crescente politização da agenda de minerais críticos — insumos essenciais para tecnologias como baterias, carros elétricos e equipamentos eletrônicos. 

Disputa ideológica

A disputa global por esses recursos, intensificada pela transição energética e por interesses militares, passou a ocupar espaço central no debate entre pré-candidatos ao Planalto.

De um lado, Flávio Bolsonaro e Caiado têm sinalizado alinhamento mais estreito com os Estados Unidos, que buscam reduzir sua dependência da China no processamento desses minerais. 

No mês passado, o senador afirmou, durante conferência de políticos conservadores nos EUA, que o Brasil poderia ser “a solução” para essa dependência, vinculando o tema à segurança do “mundo livre”.

Caiado, por sua vez, tem explorado politicamente as reservas de terras raras em Goiás e se antecipou ao governo federal ao firmar parcerias com os norte-americanos para mapeamento e pesquisa mineral.

Do outro lado, Lula defende uma estratégia de diversificação de parcerias internacionais, incluindo China, Índia e União Europeia, além de maior agregação de valor no território nacional. 

“A Europa é mais democrática. Elas falam, não, a gente quer compartilhar com o Brasil, mas a gente quer transformar dentro do Brasil. Industrializar o Brasil”, afirmou o presidente.

O pano de fundo da disputa é a posição estratégica do Brasil no cenário global. 

Mesmo com o solo ainda pouco conhecido— apenas cerca de 30% do território nacional foi pesquisado — o país desponta já como uma das maiores reservas mundiais de terras raras e outros minerais críticos. 

Com isso, o Brasil se tornou uma peça-chave no rearranjo das cadeias produtivas dessas matérias-primas, hoje concentradas na China, responsável por cerca de 80% do beneficiamento mundial de terras raras e lítio.

O pesidente destacou ainda a necessidade de aumentar investimentos na defesa do país para proteção de riquezas naturais, como água, minerais críticos e petróleo.

“Daqui a pouco um país menor decide invadir o Brasil e vamos ter dificuldade. Hoje o mundo está exiigindo que o Brail pense na segurança com mais seriedade (…) Um país do tamanho do Brasil não pode ficar desprovido de segurança”.

Data centers

Na entrevista, Lula também disse que confia que o Senado irá aprovar o Redata, projeto de renúncia fiscal para data centers, após entraves legislativos que travaram a iniciativa.

“Achamos que o Senado pode voltar a discutir o Redata, porque nós temos que construir o nosso data center”.

Embora defenda o avanço do programa, Lula alertou para os impactos ambientais associados à expansão desses empreendimentos.

O programa de incentivos aos centros de processamento de dados inclui contrapartidas ambientais, como uso eficiente de água e e uso de energia 100% renovável ou limpa — tema que tem gerado forte defesa de estados e do setor de óleo e gás para inclusão de gás natural como fomte apta de energia limpa.

“Um data center leva muito gasto de energia e muita água. E nós precisamos cuidar da água como uma coisa sagrada”, afirmou.

O governo tenta destravar o Redata após a caducidade de uma medida provisória e a paralisação de novos projetos no Congresso.

Um projeto de lei já aprovado na Câmara aguarda análise do Senado, enquanto outra proposta busca garantir os R$ 5,2 bilhões previstos no orçamento de 2026 para a iniciativa.

Para Lula, o desafio é equilibrar soberania digital, desenvolvimento econômico e sustentabilidade. 

Outro ponto polêmico do programa é participação do conteúdo nacional na montagem dos data centers, e a garantia da jurisdição brasileira sobre informações sensíveis armazenadas e processadas no país.

“A gente não pode só fazer data center com empresa estrangeira para tomar conta dos nossos dados”, disse Lula.

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