A ADL Mineração, empresa privada 100% brasileira voltada ao segmento de minerais críticos, realizou a sua primeira exportação de monazita para o Canadá. O mineral é rico em elementos de terras raras (cério, lantânio, neodímio) e tório.
A relevância da monazita tem crescido no cenário internacional em função de sua aplicação em cadeias produtivas críticas, como a fabricação de ímãs permanentes de alta potência, utilizados em veículos elétricos e turbinas eólicas, além de componentes eletrônicos, telas, equipamentos de defesa e aplicações nucleares.
Nesse contexto, o domínio sobre a produção e comercialização desses insumos tem sido tratado como questão geopolítica por potências econômicas e já entrou nos discursos dos pré-candidatos a presidência do Brasil.
O embarque de um contêiner marca a retomada da exportação privada desse tipo de material no país após um longo intervalo.
“A retomada da produção e, sobretudo, da exportação de monazita representa um marco histórico para o setor mineral brasileiro”, afirma Adelina Lee, CEO da ADL Mineração.
O último registro de exportação de monazita havia ocorrido há sete anos, conduzido pela Indústrias Nucleares do Brasil (INB), estatal vinculada ao governo federal.
Novos mercados
A expectativa da ADL é exportar entre 500 e 1.000 toneladas de monazita até o final de 2026, com destino a outros mercados além do Canadá, como Estados Unidos e China.
Em um horizonte de dois anos, a empresa projeta alcançar cerca de 3 mil toneladas exportadas.
“Embora tenha havido uma exportação em 2019 por meio da INB, vinculada ao governo federal, esta é a primeira vez, após décadas, que uma empresa privada brasileira realiza esse movimento, o que reforça o potencial do país no mercado global de terras raras e amplia sua relevância na cadeia de suprimentos de tecnologias estratégicas”, diz Lee.
Segundo a executiva, o avanço do ambiente regulatório nos últimos anos foi determinante para viabilizar a operação.
Ela destaca que o setor mineral brasileiro ganhou maturidade, permitindo que empresas privadas atendam às exigências regulatórias, técnicas, ambientais e de segurança necessárias para atuar nesse segmento.
A mineradora também atua na produção e comercialização de outros minerais estratégicos como ilmenita, zirconita e rutilo.
Parceria com a INB
Como parte dessa estratégia, a empresa mantém parceria com a INB, considerada relevante tanto para as operações atuais quanto para o desenvolvimento de novos projetos.
Em 2024, a INB firmou um contrato de cessão onerosa com a ADL para uso, por 30 anos, da Unidade de Buena, em São Francisco de Itabapoana (RJ).
O acordo transferiu à empresa a operação da planta de beneficiamento e das áreas associadas para processamento de minerais oriundos de jazidas sob sua titularidade.
Em contrapartida, a INB passou a receber receita composta por pagamento fixo mensal e royalties sobre a produção. A unidade já era dedicada à separação e comercialização de ilmenita, zirconita, rutilo e monazita.
