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Do gasoduto ao transporte público: o plano goiano para o biometano

Projeto integra usina, gasoduto e ônibus a biometano para substituir diesel no transporte público em Goiás

Biodigestores utilizados na produção de biometano. Foto: Divulgação EcoGeo
Biodigestores utilizados na produção de biometano. Foto: Divulgação EcoGeo

NESTA EDIÇÃO. Com meta de chegar a 501 ônibus a gás até o final de 2027, Goiânia recebeu os primeiros veículos e prepara infraestrutura para abastecer sua frota.

O projeto conta com a construção de uma usina e um gasoduto que conectará a produção diretamente aos pontos de abastecimento.


EDIÇÃO APRESENTADA POR:

A capital de Goiás recebeu, no final de março, os primeiros cinco ônibus articulados movidos a biometano que vão operar no transporte público municipal, a primeira entrega de um plano que prevê 501 veículos do tipo na região metropolitana de Goiânia.
 
A frota que poderá ser abastecida a GNV ou biometano tem entregas programadas entre 31 de março deste ano a 31 de dezembro de 2027.
 
Com autonomia superior a 400 km, os ônibus integram o projeto de modernização e descarbonização da frota estadual, substituindo diesel que precisa atravessar o país para chegar ao Centro-Oeste.
 
Ao mesmo tempo, são parte de uma estratégia maior para alavancar a indústria de biogás em uma região dominada pela atividade agropecuária — e alto potencial de produção de biocombustíveis
 
Estudo encomendado pelo governo estadual (.pdf) estima que Goiás pode produzir cerca de 2,2 bilhões de metros cúbicos por ano de biogás, volume capaz de suprir 98% da demanda do Centro-Oeste, Norte e Sudeste. 
 
Atualmente, o estado utiliza apenas 1,9% dessa capacidade (41,9 milhões de m3/ano).
 
A matéria-prima está nos resíduos da produção sucroenergética, pecuária, agroindústria e das cidades.
 
A grande questão é como aproveitar este potencial, conectando oferta e demanda. E é aí que entra a estratégia goiana. 
 
Em uma cerimônia com o governador Ronaldo Caiado (PSD), que concorre à presidência da República nas eleições deste ano, a inauguração das novas instalações do Terminal Padre Pelágio, em Goiânia, também foi marcada pelo anúncio de investimentos na primeira usina de biometano e do primeiro gasoduto do estado.



Com investimentos de R$ 140 milhões, a EcoGeo, empresa do grupo goiano Ecopar e da GeoGreen BioGás, de São Paulo, irá construir a primeira planta de produção de biometano em escala comercial em Goiás.
 
A previsão é que a usina entre em operação em 24 meses e forneça o biocombustível para o transporte coletivo da Região Metropolitana de Goiânia.
 
A usina será construída no município de Guapó (GO) e operará, inicialmente, com uma capacidade de produção de 30 mil m³/dia – volume suficiente para abastecer cerca de 100 ônibus diariamente.
 
O biometano será gerado a partir da decomposição de resíduos como lodo, biomassa e subprodutos agroindustriais.

Guapó fica a cerca de 35 quilômetros de Goiânia e, para fazer o biocombustível chegar ao ponto de abastecimento dos ônibus, o projeto conta com a construção de um gasoduto.
 
O empreendimento é desenvolvido por meio de parceria entre a agência de gás canalizado GoiásGás, a GeoGreen Biogás e o Consórcio BRT.
 
De acordo com o Governo de Goiás, o duto está em fase de implantação e está diretamente associado à usina, permitindo a conexão entre a produção do biometano e os pontos de abastecimento.
 
Entre eles, está o Bioposto Leste, no Terminal Novo Mundo, primeiro posto dedicado exclusivamente ao abastecimento de ônibus com biometano.
 
A infraestrutura foi concebida para atender o sistema da Nova Rede Metropolitana de Transportes Coletivos (RMTC), que já utiliza ônibus elétricos e passará a incorporar o biometano.


US$ 108 o barril. Os preços do petróleo dispararam para cerca de US$ 108 o barril na manhã desta quinta-feira (2), após o pronunciamento do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a guerra contra o Irã.

  • “Vamos atacar com extrema força nas próximas duas a três semanas. Vamos levá-los de volta à idade da pedra, onde pertencem. Enquanto isso, as negociações continuam”, afirmou o presidente dos EUA.

De olho no GLP. O MME pediu que Fazenda e Senacon/MJ adotem as medidas cabíveis contra práticas abusivas de preços no mercado de gás liquefeito de petróleo, tendo em vista o resultado do leilão da Petrobras, realizado na terça-feira (31/3). 

Solar com baterias. A Aneel assinou nesta quinta (2/4) a primeira autorização para inserção de sistema de armazenamento de energia em uma usina fotovoltaica no país. O projeto da Statkraft prevê a integração de BESS à usina Sol de Brotas 7, em Uibaí, na Bahia. 
 
LRCAP. A Comissão Permanente de Leilões (CPL) da Aneel negou, no mérito, os dois recursos apresentados pela Âmbar Energia, do grupo J&F, que tentavam reverter parcialmente os resultados do 2º Leilão de Reserva de Capacidade de 18 de março. Os recursos ainda serão julgados em definitivo pela diretoria colegiada.
 
Âmbar arrenda terminal de GNL. A empresa do grupo J&F fechou contrato para arrendamento do Terminal Gás Sul (TGS), da New Fortress Energy (NFE) em Santa Catarina. A NFE comunicou ao mercado, esta semana, que o contrato deverá entrar em vigor em agosto de 2026 e que deve contribuir para um Ebitda anual de US$ 50 milhões até 2027.
 
Guia para combater desinformação. Projeto Brief, em parceria com o Instituto DX e o Observatório do Clima, lançou um guia inédito de comunicação estratégica para enfrentar a desinformação climática. O material reúne estratégias práticas para transformar o modo como o tema climático é comunicado, conectando ciência, cotidiano e mobilização social. 
 
Estágio na Tereos. São mais de 100 vagas para universitários a partir do terceiro semestre dos cursos de Engenharias (todas), Direito, Ciências Contábeis, Administração, Ciência da Computação, Análise e Desenvolvimento de Sistemas, Comércio Exterior, Estatística, Economia, Marketing, Publicidade e Propaganda, Jornalismo, Relações Internacionais, Nutrição, Letras e Psicologia.

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