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Com petróleo mais caro, mercado financeiro precifica inflação maior e corte mais leve nos juros

Pico de preços do petróleo durante o 1º mês de guerra no Oriente Médio contamina macroeconomia

Gabriel Galípolo durante coletiva sobre o relatório de política monetária do 2ª trimestre, em 26 de junho de 2025 (Foto Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil)
Gabriel Galípolo durante coletiva sobre o relatório de política monetária do 2ª trimestre, em 26 de junho de 2025 (Foto Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil)

NESTA EDIÇÃO.Com petróleo em alta, mercado financeiro precifica inflação maior e corte mais leve nos juros;

Ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, desiste de candidatura e permanece no MME;

Pasta pede redução de impostos sobre QAV;

Estoques mais baixos de etanol;

E novas regras para licenciamento de nucleares.


EDIÇÃO APRESENTADA POR:

A entrada do grupo xiita ienamita Houthis, em apoio ao Irã na guerra entre os persas e os Estados Unidos-Israel, voltou a pressionar os preços do petróleo nesta segunda-feira (30/3). E o mercado financeiro segue precificando os impactos do conflito sobre a trajetória da inflação e da taxa de juros no Brasil.

  • Os futuros do Brent, para junho, fecharam o dia com alta de 1,96%, a US$ 107,39 o barril;
  • enquanto, nos Estados Unidos, o WTI para maio fechou com valorização de 3,25%, a US$ 102,88 o barril.

E a commodity pode subir ainda mais: o Macquarie Group estima que, se a guerra se estender até junho e o Estreito de Ormuz permanecer fechado, o barril pode bater o recorde de US$ 200 (Bloomberg)

O aumento dos preços internacionais do petróleo, neste primeiro mês de guerra, já contamina as projeções macroeconômicas do Brasil:

  • A mediana das projeções de mercado para o IPCA em 2026 subiu pela terceira semana seguida, de 4,17% para 4,31%, aproximando-se do teto da meta (de 4,5%), de acordo com o Boletim Focus (uol);
  • Na semana passada, o Focus já havia revisado a meta da Selic para 12,50% ao fim do ano, indicando maior cautela com a política monetária num contexto global mais adverso. Em fevereiro, a projeção era de 12%;
  • o Itaú BBA, aliás, já considera uma taxa Selic em 13% ao fim do ano, diante da deterioração das expectativas para a inflação (Valor).

O Comitê de Política Monetária (Copom) iniciou, na semana passada, um afrouxamento monetário, com um corte de 25 pontos percentuais na Selic, para os 14,75% ao ano – o primeiro corte em quase dois anos.

O colegiado, porém, vê aumento das incertezas. O presidente do Banco Central do Brasil, Gabriel Galípolo, afirmou nesta segunda que a alta do petróleo deve pressionar a inflação e desacelerar o crescimento econômico, num cenário global mais adverso marcado por tensões geopolíticas. (g1)

Ele justificou que a “gordura” acumulada pela política de juros elevados por muito tempo permitiu ao Brasil iniciar o corte da taxa básica, mesmo após o impacto econômico provocado pela guerra. Esse mesmo fator, acrescentou, possibilita ao BC aguardar o desenrolar do conflito para decidir os próximos passos da política monetária. (uol)

  • O ‌chair do Federal Reserve, Jerome Powell, também disse nesta segunda que o banco central dos Estados Unidos pode esperar para ver como a guerra afetará a economia e a inflação (Reuters)

O Fundo Monetário Internacional (FMI) alertou nesta segunda, aliás, que o novo choque do petróleo está desestabilizando o mercado financeiro global: 

  • bolsas caíram, juros de títulos subiram em economias avançadas e a volatilidade aumentou, apertando as condições financeiras no mundo;
  • o FMI destaca, ainda, que o impacto é “global, mas assimétrico“ e que a nova crise atinge mais os países importadores de energia, os mais pobres e aqueles com menos reservas.

O outro lado da moeda. Se por um lado o pico de preços do petróleo puxa a inflação para cima, as contas públicas brasileiras, por outro lado, podem se beneficiar:

  • o Itaú revisou suas projeções para o déficit primário do governo central, de um rombo de 0,8% do PIB para 0,5% em 2026, impulsionado por maiores receitas com petróleo.


Os novos passos da Brava Energia. Petroleira iniciou a campanha de perfuração de quatro novos poços nos campos de Papa-Terra, na Bacia de Campos, e Atlanta, na Bacia de Santos, para aumento da produção dos ativos. A previsão é que o trabalho seja concluído no primeiro trimestre de 2027.

Rateio da subvenção ao diesel. O vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, afirmou, na segunda-feira (30), que tem confiança na participação dos estados nas medidas para controle do preço do diesel no país. 

  • O governo propôs aos entes federados dividir igualmente os custos de uma subvenção de R$ 1,20 no diesel importado. Os governadores ainda não responderam à proposta da União.

E pedido de subvenção ao QAV. O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, pediu ao Ministério da Fazenda a redução das alíquotas de PIS/Pasep e Cofins incidentes sobre a importação e a comercialização do querosene de aviação (QAV), frente ao impacto da guerra no Oriente Médio nos preços.

  • Desde o início do conflito, o QAV passou de aproximadamente US$ 100 para mais de US$ 220 por barril. (MegaWhat)

Silveira segue no MME. O ministro confirmou nesta segunda que não concorrerá nas eleições deste ano, sinalizando, assim, que permanecerá no comando da pasta. Com a decisão, ele continuará no PSD, partido que vai concorrer contra Lula em Minas Gerais. Silveira havia sido sondado pelo PSB, partido da base governista.

Os estoques de passagem de etanol no Centro-Sul atingiram o menor nível em seis anos. Compras antecipadas no exterior e a produção contínua do etanol de milho, porém, garantem o abastecimento.

  • E por falar em etanol de milho… A Inpasa iniciou a operação da sua nova biorrefinaria em Luís Eduardo Magalhães, com capacidade para produzir 470 milhões de litros de etanol por ano e investimento de R$ 1,3 bilhão

Biometano de aterro em Pernambuco.  A Orizon inaugurou na sexta (27) sua planta no Ecoparque Jaboatão. Com investimento de R$ 258 milhões, a unidade tem capacidade de produzir 108 mil m³/dia do gás renovável, que será injetado na rede da Copergás.

Novas regras para nucleares. A Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN) publicou na segunda (30) duas resoluções que alteram regras para licenciamento de usinas nucleares, além de definir novas tecnologias, como os pequenos reatores modulares (SMRs). A nova norma permite a avaliação e aprovação de sítios nucleares antes da definição do projeto específico da usina. Saiba mais na diálogos da transição.

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