Segurança energética

EUA: plano de adição de 300 GW de nuclear passa por segurança nacional e data centers

Expansão nuclear acompanha demanda de data centers e necessidade por autonomia energética, diz representante dos EUA

Estrategista sênior para inovação nuclear no Departamento de Estado, Kirsten Cutler, duarnte evento da Abdan, no Rio de Janeiro. (Foto: Abdan/Divulgação)
Estrategista sênior para inovação nuclear no Departamento de Estado, Kirsten Cutler, duarnte evento da Abdan, no Rio de Janeiro. (Foto: Abdan/Divulgação)

A estratégia dos Estados Unidos de quadruplicar sua capacidade de geração nuclear, saindo dos atuais 100 GW instalados, para 400 GW até 2050, reflete uma visão do governo de que segurança energética é sinônimo de segurança nacional.

A avaliação foi feita pela estrategista sênior para inovação nuclear no Departamento de Estado, Kirsten Cutler, durante evento do setor no Rio de Janeiro, na terça (24/3).

“O presidente [Donald] Trump tem deixado muito claro que a energia nuclear é uma prioridade. Acreditamos que segurança energética é segurança nacional. Estamos tentando quadruplicar a capacidade nuclear, adicionando 300 gigawatts”. 

No primeiro ano de governo, Trump editou uma série de medidas com o objetivo de impulsionar investimentos no setor nuclear, entre elas a remoção de alguns entraves regulatórios e aceleração do licenciamento de novos projetos. 

“Estamos acelerando os processos de licenciamento”, reforça Cutler.

Na prática, as ordens executivas determinam que o processo de aprovação de novos reatores seja reduzido para até 18 meses, além de estabelecer a meta de construção de ao menos 10 grandes reatores até 2030. 

O pacote também inclui a revisão do papel da Comissão Reguladora Nuclear (NRC) e a criação de vias rápidas para tecnologias já testadas pelo Departamento de Energia (DoE) e pelo Departamento de Defesa.

Demanda das big techs

A expansão nuclear ocorre em paralelo ao crescimento da demanda por energia de data centers nos Estados Unidos, impulsionado principalmente pela digitalização da economia e pela corrida por inteligência artificial (IA).

“O setor está sendo revigorado pela demanda das nossas empresas de tecnologia. Amazon, Meta, Google, todos fizeram acordos sobre energia nuclear. Eles reconheceram que sua competitividade é dependente de um suporte seguro de energia. E a indústria de óleo e gás também está muito interessada”,

afirma Cutler.

Importância dos SMRs

Nesse contexto, os pequenos reatores modulares (SMRs) surgem como peça-chave da estratégia norte-americana. A representante dos EUA enfatizou que essas tecnologias devem desempenhar papel relevante tanto lá, como no Brasil.

“SMRs vão ter um papel muito importante em ajudar os países a alcançar seus objetivos de segurança de energia e seus objetivos de desenvolvimento econômico”.

A especialista enumera que entre as vantagens dos SMRs estão os ganhos em segurança, flexibilidade e adaptabilidade.

“Esses SMRs não são apenas mais pequenos, eles são mais seguros, mais inteligentes, e mais adaptáveis do que as tecnologias anteriores”. 

A versatilidade desses reatores também amplia seu escopo de aplicação, conectando a energia nuclear a outras cadeias estratégicas da transição energética e da economia digital.

“Eles realmente podem fornecer eletricidade para apoiar tecnologias do futuro, como a IA, e fornecer calor para produção de hidrogênio, mineração crítica, dessalinização de água”, pontua.

Soberania energética e segurança nacional

Além da expansão da capacidade instalada, a política da gestão Trump mira o fortalecimento de toda a cadeia produtiva nuclear. 

Cutler destacou iniciativas voltadas ao ciclo do combustível, incluindo enriquecimento, reciclagem e reprocessamento.

“Estamos procurando enriquecimento da produção de combustíveis nucleares, assim como examinar, reprocessar e reciclar, então, ao longo do ciclo de combustíveis, estamos investindo forte”.

As medidas buscam reduzir a dependência externa e reforçar a autonomia energética, que, segundo a representante do governo, está no centro da nova geopolítica da energia.

“Em 4 de julho, no Dia da Independência, teremos 4 microreatores de criticalidade [estágio considerado avançado para projetos nucleares]”.

Uma outra ordem executiva do governo Trump prevê o uso direto de reatores nucleares para abastecer bases militares, o que deverá ser reforçado diante do cenário de escalada de conflitos encabeçados pelos EUA.

Inscreva-se em nossas newsletters

Fique bem-informado sobre energia todos os dias