CERAweek 2026

Ex-chefe da Defesa de Trump não vê saída a curto prazo para guerra no Oriente Médio

Segundo Jim Mattis, regime iraniano está lutando “guerra total” e nenhum lado consegue avançar com uma solução econômica ou diplomática

HOUSTON – Jim Mattis, ex-secretário de Defesa durante o primeiro mandato de Donald Trump, afirmou a uma plateia de executivos do setor de petróleo e energia que não há perspectivas de uma solução imediata para a guerra dos EUA contra o Irã.

Em sua participação na CERAWeek, em Houston, Mattis afirmou que o conflito permanece sem um vencedor claro e que nenhuma das partes demonstra disposição em buscar uma saída, seja por acordos econômicos ou diplomáticos.

“Chegamos a um dilema e não vejo muitas opções positivas, mesmo se a Marinha americana começar a entrar no Golfo”, afirmou em referência a eventuais esforços militares para liberar à força a navegação no Estreito de Ormuz. 

Mattis lembrou que há dez anos já havia discussões no governo dos EUA sobre o que poderia acontecer se houvesse um conflito contra o Irã e que deveria ter ocorrido alguma preparação para manter o estrito aberto. 

“Todos nós sabíamos que isso poderia acontecer”, afirmou o general aposentado do Corpo de Fuzileiros Navais.  Mattis defendeu ainda que não será possível avançar nas negociações sem a ajuda de outros países aliados. 

Abertura de negociações EUA-Irã

Também presente à discussão, vice-presidente e diretora de Política Externa do centro de pesquisa Brookings Institution, Suzanne Maloney, disse que também é cética sobre uma solução em curto prazo. “Não sou otimista sobre as negociações nas condições atuais”, disse. 

Ela lembrou que o regime iraniano ainda pode escalar o conflito, pois acredita que pode atingir alguns dos objetivos que almeja, incluindo a retirada de algumas bases militares americanas do Oriente Médio. 

Na visão dela, no momento o tempo está do lado do regime iraniano, que provou que conseguiu sobreviver a um ataque externo. “É na economia global que sofre o risco mais alto agora, não é o Irã”, afirmou.

“A pergunta chave agora é: o que é necessário para que eles recuem das ameaças ao estreito?”, acrescentou.

Assista a cobertura da eixos diretamente de Houston:

Inscreva-se em nossas newsletters

Fique bem-informado sobre energia todos os dias