HOUSTON – Jim Mattis, ex-secretário de Defesa durante o primeiro mandato de Donald Trump, afirmou a uma plateia de executivos do setor de petróleo e energia que não há perspectivas de uma solução imediata para a guerra dos EUA contra o Irã.
Em sua participação na CERAWeek, em Houston, Mattis afirmou que o conflito permanece sem um vencedor claro e que nenhuma das partes demonstra disposição em buscar uma saída, seja por acordos econômicos ou diplomáticos.
“Chegamos a um dilema e não vejo muitas opções positivas, mesmo se a Marinha americana começar a entrar no Golfo”, afirmou em referência a eventuais esforços militares para liberar à força a navegação no Estreito de Ormuz.
Mattis lembrou que há dez anos já havia discussões no governo dos EUA sobre o que poderia acontecer se houvesse um conflito contra o Irã e que deveria ter ocorrido alguma preparação para manter o estrito aberto.
“Todos nós sabíamos que isso poderia acontecer”, afirmou o general aposentado do Corpo de Fuzileiros Navais. Mattis defendeu ainda que não será possível avançar nas negociações sem a ajuda de outros países aliados.
Abertura de negociações EUA-Irã
Também presente à discussão, vice-presidente e diretora de Política Externa do centro de pesquisa Brookings Institution, Suzanne Maloney, disse que também é cética sobre uma solução em curto prazo. “Não sou otimista sobre as negociações nas condições atuais”, disse.
Ela lembrou que o regime iraniano ainda pode escalar o conflito, pois acredita que pode atingir alguns dos objetivos que almeja, incluindo a retirada de algumas bases militares americanas do Oriente Médio.
Na visão dela, no momento o tempo está do lado do regime iraniano, que provou que conseguiu sobreviver a um ataque externo. “É na economia global que sofre o risco mais alto agora, não é o Irã”, afirmou.
“A pergunta chave agora é: o que é necessário para que eles recuem das ameaças ao estreito?”, acrescentou.
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