HOUSTON — O bloqueio do Estreito de Ormuz reforça a necessidade de diversificação não só de fontes de gás natural, mas também de rotas de suprimento. E os países do Mediterrâneo vêem na atual guerra no Oriente Médio um reforço da tese de investimento no projeto do Corredor Vertical de Gás.
O Corredor Vertical é uma iniciativa estratégica de infraestrutura de gasodutos que visa conectar os terminais de gás natural liquefeito (GNL) da Grécia à Europa Central e Leste Europeu.
“[A crise atual] mostra o quão frágil é a rota [de GNL] pelo Estreito de Ormuz. Precisamos de mais opções para que o mercado encontre os fornecedores”, disse nesta segunda (23/3) o secretário geral do Fórum de Gás do Mediterrâneo Oriental, Osama Mobarez, durante a CERA Week, em Houston.
O Fórum é uma organização internacional formada por Chipre, Egito, França, Grécia, Israel, Itália, Jordânia e Palestina.
Presente no mesmo painel, o ministro de Meio Ambiente e Energia da Grécia, Stavros Papastavrou, defendeu que a Europa precisa avançar na reestruturação de sua infraestrutura e que o Corredor Vertical é um projeto transformador que pode “beneficiar todos os países”.
Europa tem apetite por contratos
O projeto do Corredor Vertical tem sido objeto de negociações entre os países do Mediterrâneo, a União Europeia e Estados Unidos — que quer reforçar a sua posição como fornecedor de GNL para o mercado europeu.
Em fevereiro, uma reunião entre o Departamento de Energia dos EUA (DoE) recebeu autoridades da Bulgária, Grécia, Romênia, Moldávia, Ucrânia e da Comissão Europeia para discutir o projeto
As conversas são uma continuidade da Cúpula da Parceria para a Cooperação Energética Transatlântica, realizada em Atenas em 2025, e na Cúpula Transatlântica de Segurança do Gás, em Washington, em fevereiro deste ano.
A diretora-geral para Energia da Comissão Europeia, Ditte Juul Jørgensen, afirmou que o bloco está disposto a assumir mais contratos de longo prazo para aquisição de GNL.
Ela destacou que a guerra entre Rússia e Ucrânia deixou de lição a importância na diversificação das fontes de gás — e que a guerra atual no Oriente Médio reforça essa necessidade.
Ditte Juul Jørgensen alega, no entanto, que dessa vez a Europa está mais preparada para atual crise no mercado global de gás, justamente, porque diversificou a sua base de fornecedores para além da Rússia.
A construção dessa diversificação, segundo ela, passa por parcerias internacionais.
Os países do Mediterrâneo, afirmou ela, são “parceiros naturais” da Europa e que a UE tem interesse em cooperar com o Corredor.
O desafio, pontua, é a necessidade de manter a competitividade do gás.
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