HOUSTON — O fechamento do Estreito de Ormuz não é apenas um ataque a um país, mas sim um ato de “terrorismo econômico”, disse o CEO da Adnoc, sultão Ahmed Al Jaber, durante a CERAweek, evento organizado pela S&P Global em Houston (Texas), nesta segunda (23/3).
“Não é um problema de suprimento, mas de segurança”, afirmou.
O executivo da estatal dos Emirados Árabes Unidos disse que a resiliência do mercado está sendo testada e que parte do “oxigênio” da economia global passa pela rota, incluindo um terço do suprimento global de fertilizantes e um quarto dos petroquímicos.
Ele defendeu ainda que a resiliência do suprimento global de energia foi construída por meio de colaboração e afirmou que Adnoc segue disposta a buscar novas parcerias e novos investimentos, incluindo projetos de regaseificação.
Bloqueio de Ormuz se torna epicentro de tensões
A escalada no Oriente Médio colocou o Estreito de Ormuz — por onde transitam cerca de um quinto do petróleo transportado no mundo — no centro de uma crise que combina confrontos militares, disputas diplomáticas e impactos profundos sobre os mercados de energia.
O cenário de tensão elevada e a perspectiva de escalada militar contribuem para impulsionar os preços: em dia marcado por alta volatilidade, o Brent na sexta (20/3) fechou em alta, acumulando ganho semanal de cerca de 9%.
A Agência Internacional de Energia (IEA) alertou que a guerra na região está criando a “maior interrupção de oferta” de petróleo da história.
No front geopolítico, o presidente dos EUA, Donald Trump, voltou a afirmar que considera ocupar ou bloquear a ilha iraniana de Kharg para pressionar o Irã a reabrir Ormuz, enquanto milhares de fuzileiros navais americanos são enviados à região.
Na semana passada, a Organização Marítima Internacional (IMO) anunciou um corredor humanitário para retirar 20 mil tripulantes de 3.200 navios retidos no Golfo Pérsico, enquanto França, Reino Unido, Alemanha, Itália, Países Baixos e Japão manifestaram disposição para contribuir com esforços de abertura da rota.
Desde o início do mês, o Irã critica iniciativas ocidentais para garantir a segurança no estreito e alerta que países considerados alinhados à ofensiva militar podem não ter trânsito seguro pela rota.
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