Importação

Não há desvios irregulares de navios que importam combustíveis para o Brasil, diz Abicom

Eventuais redirecionamentos logísticos são fruto de decisões comerciais, no contexto da guerra

Após crise federativa, Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz) tenta impedir importação irregular de diesel. Na imagem: Três navios tanque petroleiros navegam em mar azul na cidade de Tessalônica, Grécia (Foto: John Maravelakis/Unsplash)
ANP e Receita Federal aumentam a fiscalização sobre importação (Foto John Maravelakis/Unsplash)

A Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom) negou que esteja ocorrendo desvios de navios que importam combustíveis para o Brasil. 

A entidade esclareceu que eventuais redirecionamentos logísticos não configuram “desvio” no sentido irregular, mas sim decisões comerciais, no contexto da alta volatilidade dos preços internacionais do petróleo devido ao conflito no Oriente Médio

“Trata-se de um fenômeno econômico decorrente de preços e condições de mercado”, diz a Abicom. 

A nota foi divulgada após afirmações na imprensa de que a Petrobras teria acusado importadores de desviarem diesel, o que não condiz com as recentes falas públicas de executivos da estatal. Confira a íntegra da nota abaixo. 

Na quarta-feira (18/3), a presidente da estatal, Magda Chambriard, disse a jornalistas que a inteligência da companhia monitorou seis navios de terceiros direcionados ao Brasil que tiveram os destinos desviados. 

“Imagino, e aí a gente não pode garantir, que tenham sido desviados em função de melhores oportunidades de vender spot em algum lugar do mundo. Isso não nos compete”, afirmou. 

“Esse mercado de comercialização de combustíveis é um mercado pujante, é um mercado competitivo e é um mercado global”, acrescentou. 

A própria Petrobras, inclusive, tem reconhecido que não é capaz de atender a toda a demanda nacional, que também é suprida por importadores e refinarias privadas. 

A íntegra da nota da Abicom:

NOTA DE ESCLARECIMENTO

“Importadores Estariam Desviando Diesel”

Em relação à matéria publicada pelo site Direita Online, intitulada “Petrobras acusa importadores de desviar diesel”, é importante esclarecer que o conteúdo apresentado traz interpretações equivocadas e descontextualizadas sobre o funcionamento do mercado de combustíveis no Brasil.

Primeiramente, a informação de que haveria “desvio de diesel” por importadores privados não pode ser tratada como irregularidade ou prática ilícita. Conforme declarações públicas da própria Petrobras, trata-se de uma dinâmica de mercado internacional, na qual cargas podem ser redirecionadas conforme condições comerciais, especialmente em cenários de alta volatilidade de preços e escassez global.

O contexto atual é marcado por elevação significativa dos preços internacionais do petróleo e derivados, impulsionada por tensões geopolíticas no Oriente Médio. Esse cenário tem ampliado a diferença entre os preços praticados no Brasil e no exterior, tornando economicamente desvantajosa a importação de combustíveis para o mercado brasileiro.

Nesse ambiente, eventuais redirecionamentos logísticos não configuram “desvio” no sentido irregular, mas sim decisões comerciais típicas de um mercado aberto e competitivo, no qual agentes buscam melhores condições de negociação.

Além disso, é importante destacar que o Brasil opera sob um modelo de mercado de combustíveis liberalizado, no qual múltiplos agentes — incluindo Petrobras, importadores e distribuidores — atuam de forma independente. A própria Petrobras reconhece que não possui capacidade de suprir integralmente a demanda nacional e que a participação de agentes privados é parte estruturante do modelo vigente.

Portanto, a narrativa apresentada na matéria induz à interpretação equivocada de irregularidade ou má conduta por parte de importadores, quando, na realidade, trata-se de um fenômeno econômico decorrente de preços e condições de mercado.

Reforçamos a importância de que o debate público sobre abastecimento de combustíveis seja conduzido com base em informações técnicas, contexto econômico adequado e responsabilidade na interpretação dos fatos.

Rio de Janeiro, 19 de março de 2026

Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom)

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