O Brasil pode ganhar protagonismo no mercado global de energia em meio à escalada de tensões no Oriente Médio, segundo o diretor-geral da da SLB no Brasil, Thomas Filiponi, em entrevista ao estúdio eixos, durante participação na Macaé Energy 2026, na terça (17/3)
Para ele, diante do fechamento do Estreito de Ormuz — por onde passa cerca de 30% do comércio marítimo de petróleo bruto — o país pode se consolidar como fornecedor confiável, apoiado em sua capacidade produtiva e na diversificação de destinos de exportação.
“O Brasil é um grande exportador de petróleo e exporta para diversos países, além de ter uma cadeia de produção bastante sólida. O Brasil pode se posicionar como um país bastante estratégico no fornecimento de energia mundial, mais do que já esteve nos últimos anos”, afirma o executivo.
Frete já está mais caro
Apesar de ainda não haver impactos relevantes no abastecimento de materiais no país, a guerra já pressiona custos logísticos.
“Já observamos incrementos consideráveis no que se diz respeito a fretes, custos de container em geral e logística marítima e aérea”, analisa Filiponi.
Segundo ele, a companhia mantém monitoramento constante e comunicação frequente com clientes para mitigar riscos.
“Temos um time central que monitora isso […] para que a gente atue com muita cautela nesses transportes e também passe essas informações aos nossos clientes e parceiros”, acrescenta, destacando que os efeitos da crise já são sentidos globalmente.
Revitalização da Bacia de Campos
Outro foco relevante é a revitalização da Bacia de Campos, que enfrenta declínio natural após décadas de produção. Segundo Filiponi, novas abordagens têm permitido reverter parte dessa tendência.
“A gente vem implementando diferentes metodologias na revitalização […] primeiro, na remodelagem sísmica desses campos, que permite você encontrar novas áreas até então não producentes”, explica.
Além disso, a estratégia inclui perfuração de novos poços em infraestruturas existentes e intervenções em campos maduros.
“Estamos perfurando alguns poços em uma infraestrutura já existente, porque reduz bastante o gasto com cada poço, e não precisa fazer toda a estrutura submarina. Também provemos tecnologias na parte de intervenção, para poder melhorar a produção dos poços já existentes, juntamente com processos químicos”.
Para o executivo, a combinação entre inovação tecnológica e reaproveitamento de ativos será essencial para prolongar a vida útil da bacia.
“Vamos continuar trazendo tecnologia para estar implementando junto aos nossos parceiros na Bacia de Campos”, conclui.
Principais pontos da entrevista
- Brasil tem oportunidade geopolítica como fornecedor estratégico de energia devido à cadeia sólida e posição de exportador;
- Aumento de custos logísticos (fretes) já observado, com monitoramento constante para mitigar impactos e informar clientes;
- Atuação em FPSOs com fornecimento de equipamentos e gêmeos digitais que reduzem tempo de comissionamento e aumentam eficiência;
- Revitalização da bacia de Campos com novas metodologias: remodelagem sísmica e intervenções para estender a vida dos campos;
- Centro de descomissionamento no Rio oferece modelo integrado para abandono de poços, remoção de equipamentos e economia circular;
- Novas frentes em energia: CCS (projeto pioneiro na FS Bioenergia), minerais críticos (lítio) e estocagem de energia com parceiros locais.
Veja a cobertura do estúdio eixos direto da Macaé Energy: