O presidente Lula e o presidente da Bolívia, Rodrigo Paz Pereira, assinaram, nesta segunda-feira (16/3), um acordo para viabilizar a interconexão elétrica entre os dois países.
Os pontos de conexão serão na província de Germán Busch, do Departamento de Santa Cruz, na Bolívia, e no município de Corumbá (MS), no Brasil.
O acordo prevê a construção de linhas de transmissão, além de estruturas e equipamentos elétricos de grande capacidade entre os sistemas interligados dos países.
Entre os objetivos estão intercâmbios de energia elétrica, melhorar a segurança e a qualidade dos serviços para os consumidores de energia e proporcionar assistência técnica recíproca.
“Vamos otimizar o uso dos recursos existentes nos dois países e elevar eletricidade a regiões ainda dependentes do diesel”, disse Lula, em declaração à imprensa durante a visita do líder boliviano à Brasília.
A integração entre os dois países é discutida já há alguns anos.
Em 2024, Brasil e Bolívia firmaram um acordo que prevê a interconexão entre redes dos dois países através da ligação das subestações Guajará-Mirim (RO) e Guayaramerín (Bolívia), permitindo que a energia brasileira chegue a localidades bolivianas isoladas.
O Ministério de Minas e Energia (MME) afirmou à época que três municípios bolivianos de 250 mil habitantes seriam interligados a partir da rede de distribuição da Energisa no Acre.
Já em maio de 2025, os dois governos assinaram um memorando de entendimento que autorizou elevar a cota do reservatório da usina de Jirau para 90 metros — nível acima da faixa usual de 82,5 m a 90 m — mediante compensação aos bolivianos.
Com capacidade instalada de 3,75 GW, Jirau responde por 3,7% da geração hidrelétrica do país e é a quarta maior usina do Brasil, atrás de Itaipu, Belo Monte e Tucuruí.
Em outubro do ano passado, o governo brasileiro oficializou a divisão da energia extra gerada pela hidrelétrica de Jirau, durante reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE): dois terços para o Brasil e um terço para a Bolívia.
Ampliação de investimentos na importação de gás boliviano
Lula também conversou com Pereira sobre a possibilidade de ampliar investimentos na importação de gás boliviano para o Brasil e incrementar o volume exportado para o mercado brasileiro.
“Em um contexto internacional marcado por conflitos que ameaçam a provisão segura de combustíveis, a Bolívia permanece como uma fonte segura e mantém a condição de maior fornecedor de gás natural para o Brasil”, disse Lula.
O presidente enfatizou ainda a importância do gasoduto Brasil-Bolívia (Gasbol) no crescimento da indústria brasileira e do setor de hidrocarbonetos boliviano, e citou que ele poderá auxiliar na integração mais ampla dos mercados de gás do Cone Sul.
“O Brasil está disposto a cooperar com a Bolívia, também com apoio à produção de biocombustíveis e outros recursos renováveis. Isso significa mais segurança energética e diversificação de fontes de fornecimento, além de possibilitar a descarbonização das nossas economias”, afirmou.
