O aprofundamento da guerra no Oriente Médio e das tensões no Estreito de Ormuz poderá frear as aspirações de expansão das majors no Catar e nos Emirados Árabes Unidos (EAU) e redirecionar investimentos em gás natural liquefeito (GNL) para outras regiões do planeta, de acordo com a Rystad Energy.
A consultoria acredita, nesse sentido, que o bloqueio de Ormuz, por onde transitam cerca de 20% do comércio global de GNL, têm implicações para além do impacto imediato sobre os preços da commodity, mas também sobre a própria distribuição geográfica dos novos projetos de liquefação.
Juntas, Shell, TotalEnergies, bp, ExxonMobil, Chevron e Eni reúnem um portfólio de projetos no Catar e EAU que promete aumentar em 12 milhões de toneladas por ano (mtpa) a capacidade de produção de GNL até 2030. Isso representa um crescimento de 66% em relação à produção de GNL das majors na região em 2025.
A Rystad calcula, no entanto, que num cenário extremo de prolongamento do conflito as majors precisarão diversificar mais seus portfólios de projetos de GNL, para replicar suas atuais trajetórias de crescimento.
As seis companhias, juntas, projetam um crescimento de 58 milhões de toneladas por ano no volume de vendas até o fim da década – um aumento de 26% em relação a 2025.
“Consequentemente, num cenário de conflito prolongado, a discussão sobre o portfólio de GNL pode muito bem se voltar para a aceleração de projetos pré-FID [que ainda não tiveram decisão final de investimento] dentro dos portfólios existentes das grandes empresas ou outras oportunidades em estágio inicial para mitigar potenciais perdas de fornecimento”, cita o relatório da consultoria.
Projetos na África e Pacífico podem se beneficiar
A Rystad destaca que as majors provavelmente voltarão sua atenção para a diversificação adicional de portfólio e aceleração de projetos-chave de crescimento em outras jurisdições, na medida do possível.
A consultoria cita que o projeto Mozambique LNG (Moçambique), com capacidade de 12,9 mtpa, já está em desenvolvimento e poderá entrar em operação antes de 2030, caso não haja atrasos na execução do projeto.
Outros candidatos à Decisão Final de Investimento (FID) em curto prazo incluem Rovuma LNG (Moçambique), Papua LNG (Papua-Nova Guiné) e até mesmo Tanzania LNG (Tanzânia), desde que um acordo suficiente seja alcançado entre as autoridades e as petroleiras internacionais.
Como as majors estão expostas à crise do GNL
A Rystad também analisa a exposição ao risco de cada uma das majors em relação à volatilidade atual do mercado:
- ExxonMobil e Chevron têm menor exposição a volumes de GNL comprados de terceiros e seguem uma estratégia centrada no desenvolvimento de grandes projetos integrados vinculados às suas reservas de gás natural.
- bp, Eni, Shell e TotalEnergies produzem parte do GNL em suas próprias unidades, mas dependem fortemente da compra de terceiros – mais de 60% de suas vendas totais vêm da compra de commodity no mercado internacional.
A consultoria cita que Shell e a TotalEnergies, por exemplo, comercializam GNL de uma ampla gama de projetos – incluindo Catar, Nigéria, Austrália e Estados Unidos – e também compram cargas para otimizar seus portfólios globais.
Essa abordagem diversificada dá mais flexibilidade a essas empresas no reequilíbrio de seus portfólios, caso as perturbações geopolíticas afetem fontes específicas.
Em contraste, como seus portfólios de GNL dependem mais da produção própria, as majors estadunidenses podem ser mais vulneráveis a interrupções no fornecimento que afetam seus próprios ativos.
