diálogos da transição

Mapa do caminho: 46 países têm algum plano para descarbonizar energia

Levantamento mostra que alguns passos já foram dados em direção ao mapa do caminho para a transição dos combustíveis fósseis

Plataforma offshore Dudgeon da Statoil para exploração de petróleo e gás associada à eólica offshore (Foto Jan Arne Wold Woldcam/Equinor)
Plataforma de exploração offshore Dudgeon, da Statoil, associada à geração eólica offshore | Foto Jan Arne Wold Woldcam/Equinor

NESTA EDIÇÃO. Levantamento identifica iniciativas que podem contribuir para o mapa do caminho para longe dos combustíveis fósseis.

Brasil, Colômbia e Turquia aparecem no documento com seus movimentos para elaboração de roteiros nacionais.


EDIÇÃO APRESENTADA POR:

Quarenta e seis países têm algum tipo de plano de descarbonização do setor energético, mostra um estudo publicado nesta terça (10/3) por um grupo de think tanks e organizações ambientais internacionais.
 
O levantamento mostra que alguns passos já foram dados em direção ao mapa do caminho para a transição dos combustíveis fósseis, inclusive com 11 nações, como Reino Unido, Noruega e Colômbia, estudando limitar ou reduzir a oferta. O Brasil também aparece neste grupo, mas a realidade é que o governo Lula (PT) está mais interessado em garantir relevância no mercado de óleo e gás pelas próximas décadas.
 
O roteiro com caminhos para a transição, considerando as diferentes realidades locais, está sendo elaborado pela presidência brasileira da COP30.
 
No final de fevereiro, o embaixador André Corrêa do Lago lançou uma consulta aos países membros da convenção do clima. Mas logo em seguida estourou uma guerra no Oriente Médio, o que pode influenciar positiva ou negativamente as visões dos governos sobre o assunto.
 
Nos estudos de caso divulgados hoje (.pdf), IISD, E3G, Observatório do Clima e outras duas organizações analisam iniciativas e alianças que podem fornecer exemplos para o mapa do caminho da COP30, tanto com lições sobre o que funciona, quanto com lacunas que precisam ser fechadas.
 
Brasil, Colômbia e Turquia aparecem no documento com seus movimentos para elaboração de mapas do caminho nacionais. 
 
A Colômbia concluiu o seu em 2025, o brasileiro aguarda a definição de diretrizes e a Turquia, anfitriã da COP31, planeja apresentar sua Estratégia Nacional de Transição Justa até o final de 2026.
 
África do Sul, Indonésia, Vietnã e Senegal selecionados pelas Parcerias de Transição Energética Justa (JETPs) são estudos de caso sobre como vincular maior ambição ao financiamento internacional, mas também expõem lacunas quando o capital e os mecanismos de execução ficam aquém do esperado.
 
Já Alemanha, Chile, Canadá e Dinamarca fornecem exemplos sobre a eliminação gradual do carvão na matriz. 



Embora o Brasil apareça no levantamento entre os países que estudam reduzir a oferta de petróleo, o planejamento energético indica outra prioridade.
 
De um lado, o Ministério do Meio Ambiente, comandado por Marina Silva (Rede), defende que é preciso um cronograma para o país limitar a produção de óleo e gás, tendo em vista os compromissos climáticos assumidos no Acordo de Paris.
 
Esta visão, no entanto, não é compartilhada com o restante do governo, que enxerga oportunidades na redução do consumo interno de derivados — conforme eletrificação e biocombustíveis avançam — para exportar petróleo com menor intensidade de carbono.

Parece óbvio, mas não é. Um dos pontos centrais para o sucesso ou fracasso do roteiro em elaboração pela equipe de Côrrea do Lago é a definição do que significa uma transição para longe dos combustíveis fósseis.
 
Para as organizações que trabalham com clima e meio ambiente, a transição exige uma transformação planejada e sistêmica dos sistemas de energia e das economias. 
 
“Ela reestrutura a forma como a energia é produzida, transportada, consumida e governada em toda a cadeia de valor dos combustíveis fósseis e substitui os modelos econômicos ancorados nesses combustíveis”, define o relatório (.pdf). 
 
Essa mudança precisa coordenar diferentes sistemas e garantir que ninguém fique para trás. E é aí que mora o perigo: a necessidade de garantir segurança energética é, em algumas ocasiões, usada como argumento para protelar o afastamento dos fósseis.
 
No estudo, são indicados cinco princípios a serem observados nos mapas do caminho, para garantir justiça, ambição e consistência: 1) alinhamento com a melhor ciência disponível; 2) responsabilidades comuns, porém diferenciadas; 3) abordagem participativa, inclusiva e transparente; 4) direito à soberania; e 5) desenvolvimento baseado em direitos (humanos, indígenas, racial e de gênero, por exemplo).


Que transição é essa? Quatorze homens brancos — e nenhuma mulher — subiram ao palco, na segunda (9/3), para entregar ao embaixador André Corrêa do Lago a contribuição da Coalizão Biocombustíveis ao roteiro da presidência da COP30 para a transição dos combustíveis fósseis.

  • A diversidade não fez falta apenas na foto oficial. O documento faz referência à inclusão social, porém em termos amplos e ligados ao conceito de “transição energética justa”, sem detalhar medidas específicas para o setor.

Cooperação industrial. O vice-presidente e ministro, Geraldo Alckmin (PSB), disse que o governo brasileiro está pronto para apoiar uma proposta de cooperação industrial com a África do Sul. Durante fórum empresarial na segunda (9), Alckmin mencionou energia e minerais críticos como oportunidades.

Corrida mineral, risco ambiental. O avanço do projeto de lei que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos acendeu um sinal de alerta entre ambientalistas, que incluíram o tema entre os pontos de atenção da agenda legislativa de 2026. 

  • Para o Observatório do Clima, o risco não está necessariamente no objetivo da política, que é ampliar a produção de minerais usados na transição energética, mas na forma como ela pode ser estruturada.

De olho no calor extremo. O Ministério do Meio Ambiente anunciou na segunda (9/3) o início da elaboração do Plano Nacional de Ação pelo Resfriamento (PNAR Brasil), iniciativa que busca enfrentar o aumento das temperaturas extremas no país. O objetivo é estruturar estratégias para acesso a soluções de resfriamento eficientes e baixa emissão.
 
Racismo climático. Foi prorrogado para 2 de abril de 2026 o prazo de inscrições para o Comitê Nacional de Enfrentamento ao Racismo Ambiental e Climático. A iniciativa busca assegurar ampla participação da sociedade civil na formulação de políticas públicas destinadas ao enfrentamento das desigualdades raciais agravadas pelos impactos da mudança do clima.

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