Acima do cronograma

CNA pede avanço da mistura de biodiesel para 17% em meio a alta do petróleo

Organização do agro pede avanço imediato para B17, como estratégia de mitigação de impactos da guerra sobre preço do diesel

Bomba em posto com abastecimento de biodiesel; e ao fundo ônibus urbano passando (Foto Agência Brasil)
Posto com abastecimento de biodiesel (Foto Agência Brasil)

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) solicitou ao Ministério de Minas e Energia (MME), o aumento urgente da mistura obrigatória de biodiesel ao óleo diesel no país, dos atuais 15% para 17% (B17), diante da escalada recente dos conflitos no Oriente Médio e seus impactos sobre o mercado de petróleo.

No ofício encaminhado ao ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD), nesta sexta (6/3), a entidade menciona a alta acumulada de 20% no preço do barril em relação ao final de fevereiro.

Nesta sexta, o Brent chegou a ser cotado acima de US$ 94 o barril, enquanto WTI alcançou US$ 92, depois de uma semana do ataque dos EUA e Israel ao Irã, e o escalonamento da guerra a outros países do Oriente Médio, com o bloqueio do Estreito de Ormuz. 

A organização também usa como referência episódios recentes de tensões globais decorrentes de conflitos bélicos, como a guerra entre Ucrânia e Rússia em 2022, quando o preço do Brent chegou a subir 40% no primeiro semestre, levando ao aumento médio nos preços de distribuição e revenda do diesel da ordem de 21% e 23%, respectivamente.

“Nesse contexto, em antecipação aos eventuais impactos à população brasileira, o avanço da mistura de biodiesel representa medida importante e sustentável para ampliar a oferta de combustível no mercado doméstico, reduzir pressões sobre os custos logísticos e fortalecer a segurança energética nacional”, explica no ofício assinado pelo presidente da CNA, João Martins.

A Confederação ressalta ainda que o atraso na implementação do B16 (16% de biodiesel), prevista para 1º de março de 2026, já é um fator de redução do potencial de amortecimento de crises oferecido pelo combustível produzido no país a partir de óleos vegetais e gorduras.

“No entanto, no novo quadro da geopolítica mundial, o avanço imediato para 17% (B17) surge como medida razoável para a realidade nacional”, ressalta Martins.

Segundo a organização que representa o agro, com a soja em plena safra e amplo potencial de abastecimento das indústrias esmagadoras, “o biodiesel torna-se uma alternativa com preço competitivo e com potencial de frear eventuais escaladas de preços para os usuários do transporte no País, incluindo o agronegócio”.

Aumento de mistura depende do CNPE

Três frentes parlamentares do agronegócio divulgaram um manifesto na quarta-feira (4/3) defendendo a elevação da mistura para 16% de biodiesel no diesel (B16). 

O segmento afirma que a elevação do uso do biodiesel pode diminuir a dependência da importação de combustíveis e minimizar a exposição cambial.

O aumento já está previsto na Lei do Combustível do Futuro, mas depende do aval do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE). A próxima reunião do colegiado está prevista para este mês.

O manifesto é assinado pelo presidente da Frente do Biogás e Biometano e coordenador da Coalizão pelos Biocombustíveis, deputado Arnaldo Jardim (Cidadania/SP); pelo presidente da Frente do Biodiesel, deputado Alceu Moreira (MDB/RS); e pelo presidente da Frente Agropecuária, deputado Pedro Lupion (Republicanos/PR).

“A elevação da mistura para o B16 é absolutamente necessária neste momento de instabilidade internacional. Cada ponto percentual adicional de biodiesel reduz a necessidade de importação de diesel fóssil, diminui a exposição cambial, amplia a segurança energética e fortalece a produção nacional”, diz o grupo de parlamentares.

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