Venda BR Distribuidora

Petrobras não pode adquirir ativos da Raízen por cláusula de não concorrência com a Vibra

Acordo de não concorrência firmado após a venda da BR Distribuidora, hoje Vibra Energia, permanece válido até meados de 2029

Presidente da Petrobras, Magda Chambriard, em entrevista exclusiva ao estúdio eixos durante a ROG.e 2024, no Porto Maravilha, no Rio, em 25/9/2024 (Foto Victor Curi/eixos)
Magda Chambriard, presidente da Petrobras, concede entrevista exclusiva ao estúdio eixos, diretamente da ROG.e 2024 no Rio | Foto Victor Curi/eixos

A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou que a companhia não pode adquirir ativos da Raízen — mesmo diante do interesse em seu portfólio de produção de etanol — devido a um acordo de não concorrência firmado após a venda da antiga BR Distribuidora, hoje Vibra Energia

A restrição, segundo ela, permanece válida até meados de 2029.

A declaração ocorre em meio às dificuldades financeiras enfrentadas pela Raízen. A companhia acumula cerca de R$ 55 bilhões em dívidas, foi rebaixada por agências de classificação de risco e registrou prejuízo de R$ 15,6 bilhões no terceiro trimestre do ano passado. 

Diante desse cenário, a companhia discute alternativas para reforçar seu caixa. Entre elas está uma possível capitalização com aportes de R$ 3,5 bilhões da Shell e R$ 500 milhões da Cosan, suas controladoras.

Questionada por jornalistas sobre a possibilidade de a Petrobras participar de algum movimento envolvendo a empresa, Chambriard descartou a hipótese.

“A Raizen é uma empresa em que constam nos seus ativos, de uma maneira bastante solidária, etanol e distribuição de combustíveis. Nós temos um acordo de non-compete com a Vibra, que perdurará até meados de 2029”, afirmou.

Apesar da impossibilidade de avançar sobre a companhia, Chambriard disse que o fechamento de negócios com etanol segue em avaliação pela estatal. 

“O etanol está em carteira, e como tudo que está em carteira, vai ser submetido à análise técnico-econômica e às suas melhores condições e oportunidades de financiabilidade”, disse.

A expectativa é de que seja feito um anúncio ainda este ano.

Saída da Petrobras da distribuição aumentou concentração

A presidente da Petrobras também criticou a decisão tomada nos últimos anos de retirar a companhia do mercado de distribuição de combustíveis, movimento que culminou na privatização da BR Distribuidora. 

Na avaliação de Chambriard, a expectativa de que a medida aumentaria a concorrência e reduziria preços não se concretizou.

“A sociedade brasileira acreditou que era vantajoso tirar a distribuição de petróleo da Petrobras para que a concorrência aumentasse e reduzisse o preço. O que se viu foi o exato oposto. Foi mais concentração de mercado e a impossibilidade completa da Petrobras chegar ao consumidor final ajudando a fazer preço”.

Reduções nas refinarias não chegam à bomba

Chambriard também ressaltou que, apesar das reduções de preços feitas pela Petrobras nas refinarias nos últimos anos, esses cortes não necessariamente se refletem integralmente no preço final pago pelo consumidor.

“Todos esses combustíveis, QAV, GLP, diesel e gasolina, têm uma redução de preço sensível, considerada ou não a inflação em relação a 31 de dezembro de 2022”, disse.

“Todos eles estão mais baratos. Nosso diesel está 36,5% mais barato, nossa gasolina, menos 27,1%. O nosso GLP, menos 28,3%. E o nosso QAV, menos 38,6%”.

Ela destacou que outros agentes da cadeia vêm adicionando margens.

“Isso não impediu que o combustível tenha aumentado ao longo do tempo e não impediu que essas margens tenham sido agregadas por outros agentes econômicos, mostrando simplesmente o equívoco que foi essa decisão”.

Para Chambriard, a ausência da Petrobras no elo final da cadeia limita a capacidade da empresa de influenciar diretamente o preço ao consumidor. 

“Hoje em dia a Petrobras não chega ao fim da linha e, portanto, não contribui para a formação do preço final ao consumidor. De novo, a nosso ver, o consumidor está pagando o preço de uma decisão equivocada”.

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