Brent acima de US$ 94

Alta do barril ainda não traz segurança para aumentar investimentos em renováveis, avalia Petrobras

Companhia segue trabalhando com cenários conservadores para investimentos, mesmo diante da recente alta do barril de petróleo

A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, fala à imprensa, no Rio de Janeiro, em 27 de maio de 2024 (Foto Fernando Frazão/Agência Brasil)
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, fala à imprensa, no Rio de Janeiro, em 27 de maio de 2024 (Foto Fernando Frazão/Agência Brasil)

A recente alta no preço do petróleo, impulsionada pelas tensões geopolíticas envolvendo Irã, Israel e Estados Unidos, ainda não é suficiente para dar segurança à Petrobras sobre uma ampliação de investimentos em transição energética, que foram reduzidos em 20% no Plano de Negócios 2026-2030

A avaliação foi feita nesta sexta (6/3) pela presidente da estatal, Magda Chambriard, durante coletiva de imprensa.

Segundo a executiva, a companhia segue trabalhando com cenários conservadores para definir sua estratégia de investimentos, mesmo diante da volatilidade recente no mercado internacional de petróleo.

Nesta sexta, o Brent chegou a ser cotado acima de US$ 94 o barril, enquanto WTI alcançou US$ 92, depois de uma semana do ataque dos EUA e Israel ao Irã, e o escalonamento da guerra a outros países do Oriente Médio, com o bloqueio do Estreito de Ormuz. 

“Não podemos dar bobeira. A empresa tem que estar dimensionada para os US$ 53 ou US$ 55 (o barril) e gostar de enxergar um cenário mais alto. Se eu estiver preparada para US$ 55 e acontecer US$ 120, estou rica”, disse Chambriard.

A presidente ressaltou que a empresa precisa estar pronta para operar mesmo em cenários de preços mais baixos para o petróleo.

“Se a gente olha para um cenário de preço alto, tudo fica mais fácil. Se a gente olha para um cenário de preço baixo, as restrições se impõem e a gente tem que responder essas perguntas. (…) Hoje em dia, não é possível a gente apostar nem num cenário, nem outro”.

Revisão do plano e cenário incerto

A avaliação ocorre em meio a resultados operacionais robustos da Petrobras. Em relatório divulgado na quinta, a companhia informou que atingiu recorde de reposição de reservas em 2025.

O índice de reposição de reservas orgânico chegou a 175%, com 12,1 bilhões de barris de óleo equivalente em reservas provadas — o maior volume da estatal em dez anos.

A produção de óleo e gás da companhia também avançou. Em 2025, a Petrobras produziu 2,99 milhões de barris de óleo equivalente por dia, alta de 11% em relação a 2024, quando foram registrados 2,698 milhões de barris diários.

O crescimento foi impulsionado por novas plataformas do pré-sal, como o FPSO Almirante Tamandaré, no campo de Búzios, que se tornou a plataforma com maior produção do país, atingindo cerca de 240 mil barris por dia.

A estatal também registrou lucro líquido de R$ 110,1 bilhões em 2025, alta de 200% frente aos R$ 36,6 bilhões obtidos em 2024.

Chambriard relembrou que o planejamento estratégico apresentado no fim do ano passado foi estruturado para garantir resiliência mesmo em cenários de preços mais baixos do petróleo. 

“Projetos que têm que ter um cenário de robustez diante de pelo menos US$ 45, US$ 50 por barril. Esses são nossos projetos. A companhia está absolutamente preparada para isso”.

O Plano de Negócios 2026-2030 foi organizado em três categorias. 

Os projetos já aprovados e contratados, que compõem o portfólio base da empresa; cerca de US$ 10 bilhões em projetos considerados “alvo”, que poderão avançar dependendo da disponibilidade de recursos e de condições adequadas de financiamento; e iniciativas ainda em fase de avaliação, que não atingiram maturidade.

De acordo com a executiva, essa estrutura permitiu reduzir o preço de equilíbrio necessário para sustentar os investimentos da companhia.

“Vamos continuar olhando custos um a um, para saber o que são custos essenciais, o que são custos que podem ser dispensados”, afirmou.

Renováveis e biocombustíveis

No plano divulgado em novembro de 2025, a Petrobras indicou que priorizará biocombustíveis dentro de sua estratégia de renováveis, em detrimento da geração solar e eólica, pelo menos até o final da década.

Executivos da companhia afirmaram na época que a decisão leva em conta os riscos de cortes de geração renovável, conhecidos como curtailment, além da estratégia de ampliar a produção de bioprodutos.

A empresa também prevê os primeiros anúncios para sua entrada no setor de etanol a partir de 2026.

Parceria em renováveis

No segmento de geração renovável, a petroleira assinou em dezembro de 2025 um acordo com a empresa Lightsource bp para adquirir 49,99% das subsidiárias da companhia no país, em uma joint venture com gestão compartilhada entre as empresas.

A conclusão da operação ainda depende de aprovações regulatórias.

Segundo o gerente-executivo de Gás e Energia da Petrobras, Alvaro Tupiassu, o processo segue em andamento.

“Estamos  em processo agora de cumprimento de condições precedentes para no segundo trimestre desse ano a estimativa de fazer o closing”, disse.

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