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China flexibiliza meta climática em plano quinquenal

Em 15º Plano Quinquenal, China se propõe a reduzir emissões de carbono por unidade do PIB em 17% entre 2026 e 2030

Beijing, 5 de março de 2026 - A 14ª Assembleia Popular Nacional (APN), o mais alto órgão legislativo da China, iniciou sua quarta sessão na manhã desta quinta-feira no Grande Palácio do Povo, em Beijing. Foto: Xinhua/Xie Huanchi
Beijing, 5 de março de 2026 - A 14ª Assembleia Popular Nacional (APN), o mais alto órgão legislativo da China, iniciou sua quarta sessão na manhã desta quinta-feira no Grande Palácio do Povo, em Beijing. Foto: Xinhua/Xie Huanchi

NESTA EDIÇÃO. China deixa espaço para aumento de emissões em novo plano econômico.

País também revisa intenção de reduzir consumo de carvão. Meta é estabilizar.


EDIÇÃO APRESENTADA POR:

Mesmo liderando a expansão de energias renováveis no mundo, a China decidiu, no plano econômico para os próximos cinco anos, flexibilizar ligeiramente sua meta climática, permitindo que suas emissões aumentem até 2030.
 
Divulgado nesta quinta (5/3), o 15º Plano Quinquenal chinês traz o compromisso de reduzir as emissões de carbono por unidade do PIB em 17% entre 2026 e 2030. A ambição é ligeiramente inferior aos 18% estabelecidos para o período de 2021 a 2025 e que não foram alcançados. (Reuters)
 
Como o compromisso é focado na intensidade de carbono, as emissões ainda podem aumentar a depender da taxa de crescimento econômico. 
 
Já a meta de crescimento do PIB para 2026 foi reduzida para “4,5% a 5%”, ante os “cerca de 5%”, do período anterior.
 
Responsável por pouco mais de 29% das emissões globais, o país é historicamente conservador em suas metas climáticas, o que aumenta o desafio global de limitar o aquecimento do planeta a 1,5ºC até o fim do século.
 
A dependência do carvão segue um problema. Maior consumidora do combustível fóssil mais intensivo em carbono, a China omitiu do plano a menção anterior à redução gradual do seu uso.
 
Agora, a intenção é estabilizar o consumo de carvão, com meta de chegar a 25% de energia não fóssil até 2030.
 
O plano econômico chega em meio a uma nova guerra no Oriente Médio, após o ataque dos Estados Unidos ao Irã no fim de semana, com impactos diretos sobre o mercado de petróleo e gás na Ásia.
 
O cenário de instabilidade no abastecimento e preços levanta temores de que a China precise recorrer ao carvão para geração térmica, em substituição ao gás natural importado.
 
No documento que foi apresentado na reunião parlamentar conhecida como Congresso Nacional do Povo, o governo chinês também indica estabilidade na produção doméstica de petróleo, em 200 milhões de toneladas anuais, mas planeja aumentos na produção de gás natural.



As emissões de CO2 da China caíram 1% no último trimestre de 2025, indicando que o maior emissor global pode ter alcançado uma redução de 0,3% no ano passado, calcula o Carbon Brief.
 
Significa que o país caminha em direção a dois anos de emissões estáveis ou em queda, período que começou em março de 2024.
 
Uma das protagonistas dessa jornada é a indústria fotovoltaica. A expansão das instalações de capacidade solar ajudou a suprir uma parcela crescente da demanda por eletricidade.
 
Ainda de acordo com o Carbon Brief, o setor de energia viu sua demanda por eletricidade crescer 520 terawatts-hora (TWh) em 2025.
 
Ao mesmo tempo, a geração solar e eólica forneceram 360 TWh e 130 TWh de eletricidade limpa adicional, respectivamente, enquanto a nuclear garantiu 40 TWh, suprindo todo o crescimento da demanda.
 
A geração de energia hidrelétrica também aumentou 3% e a de bioenergia 3%, contribuindo para reduzir a geração de energia a partir de combustíveis fósseis em 1%.
 
Ainda assim, a China encontra dificuldades em substituir os fósseis na indústria química. O setor foi um dos poucos com crescimento de emissões no ano passado (12%), impulsionadas por aumentos de 15% e 10% no uso de carvão e petróleo, respectivamente.


90% na Europa. Os países membros da União Europeia aprovaram nesta quinta (5/3) a nova meta climática de reduzir as emissões de gases de efeito estufa em 90% até 2040. Após acordo, a proposta do Conselho Europeu foi flexibilizada para permitir que 5% da ambição possa ser cumprida por meio de compensações com créditos de carbono.
 
Mais um mapa do caminho. A Frente Parlamentar Ambientalista e o Observatório do Clima lançaram na quarta (4/3), a Agenda Legislativa 2026 para o meio ambiente com transição energética nas prioridades. Entre as propostas consideradas urgentes para análise está o PL 6615/25, que cria um “mapa do caminho” para o Brasil substituir combustíveis fósseis.
 
Carvão judicializado. O Instituto Arayara apresentou uma ação na Justiça Federal contra a participação de térmicas a carvão no leilão de reserva de capacidade (LRCAP) de 18 de março. A ação afirma que a inclusão das usinas a carvão no certame apresenta vício de motivação, desvio de finalidade e viola compromissos climáticos assumidos pelo Brasil.
 
Guerra e LRCAP. O fechamento do Estreito de Ormuz e os desdobramentos no mercado internacional alteram como os supridores de gás natural estão posicionados para o leilão de reserva de capacidade, disse o sócio-diretor da A&M Infra, Rivaldo Moreira Neto, durante participação em debate promovido pelo estúdio eixos.
 
Salvaguardas bilaterais. O presidente Lula (PT) assinou na quarta (4/3) o decreto que regulamenta, pela primeira vez, os procedimentos para a investigação e aplicação de salvaguardas bilaterais. A medida chega em meio ao processo de ratificação do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia.

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