Guerra

Conflito no Oriente Médio altera posicionamento de supridores no LRCAP, diz A&M Infra

Térmicas que têm como fonte o GNL terão a matriz de riscos afetada, enquanto players com acesso a gasodutos estão mais protegidos, afirma Rivaldo Moreira Neto

O fechamento do Estreito de Ormuz, devido ao conflito no Irã, e os desdobramentos no mercado internacional alteram como os supridores de gás natural estão posicionados para o leilão de reserva de capacidade (LRCAP), disse o sócio-diretor da A&M Infra, Rivaldo Moreira Neto, durante participação em debate promovido pelo estúdio eixos, nesta quarta-feira (4/3).

Assista à íntegra!

O primeiro LRCAP do ano acontece em 18 de março e visa a ampliação de usinas hidrelétricas e termelétricas existentes a gás natural e carvão mineral, além de usinas novas a gás. 

Segundo Moreira, termelétricas cuja única fonte é o gás natural liquefeito (GNL) terão a matriz de riscos afetada.

Já players com acesso a gasodutos podem ter uma vantagem, pois esse mercado é menos afetado pelo contexto internacional no curto prazo.

“O portfólio protege players como a Petrobras, que dependem menos [do suprimento internacional] para atender as suas próprias térmicas, talvez estejam muito menos afetados pelo que está acontecendo no mundo, ao passo que players que dependem de forma total do mercado externo podem sentir nas negociações das próximas semanas alguma mudança, especialmente no pós-leilão”, afirmou o executivo.

Dependência de GNL importado para térmicas pode impactar setor

Já o VP do Mercado de Gás para a América Latina da Rystad Energy, Vinícius Romano, alertou para os impactos da guerra no setor de gás brasileiro a longo prazo.

Romano afirmou que, com a utilização de termelétricas, o Brasil ainda tem uma dependência de importação de GNL, que ocorre sob pagamento de preços do mercado spot.

Ele lembrou que o desenho do LRCAP, que prioriza térmicas flexíveis, não combina com a capacidade de armazenamento nacional nem com as características de importação dos países vizinhos.

“A gente está apostando essas fichas cada vez mais no GNL (…) A qualquer sinal de uma seca maior do que esperado e um despacho termelétrico maior, o Brasil deveria recorrer sim à importação de GNL e vai pagar o preço que for, e isso poderia trazer impactos no nosso setor “, disse.

“São critérios que podem sim trazer um resultado vencedor para o leilão, mas que a gente tem que ter consciência que, em crises futuras, as nossas térmicas vão despachar nesse preço e vai encarecer ainda mais a conta para o consumidor de energia final”, completou.

De acordo com Romano, a alternativa são os projetos em onshore nacional, que poderiam entregar flexibilidade a um preço mais baixo.

Inscreva-se em nossas newsletters

Fique bem-informado sobre energia todos os dias