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China define rumo energético até 2030

Enquanto o foco global recai sobre petróleo e gás, novo plano econômico chinês deve influenciar cadeias de suprimento e ritmo da transição até 2030

Usina de energia nuclear localizada em Urumqi, na China (Foto Rinat Keldibekov/Pixabay)
Usina de energia nuclear localizada em Urumqi, na China (Foto Rinat Keldibekov/Pixabay)

NESTA EDIÇÃO. Em meio à instabilidade no Oriente Médio, China prepara lançamento de plano quinquenal, definindo o ritmo da expansão renovável.

Novo plano econômico deve influenciar cadeias de suprimento, preços de commodities e velocidade da descarbonização mundial.


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Enquanto a atenção global se volta para o conflito dos EUA no Oriente Médio e seus reflexos imediatos sobre petróleo e gás, um anúncio em Pequim marcado para esta semana tende a ter impactos mais duradouros sobre o mercado global de energia: a assinatura do 15º Plano Quinquenal da China (2026–2030).
 
De 4 a 11 de março, durante as chamadas “Duas Sessões”, parlamentares devem aprovar o novo ciclo de planejamento econômico e social. 
 
O plano orientará a segunda maior economia do mundo — e o maior consumidor de carvão — rumo a 2030, prazo estabelecido pelo presidente Xi Jinping para que o país atinja o pico de emissões de carbono.
 
No topo do ranking de emissões de gases de efeito estufa, a China é também líder disparada no investimento em tecnologias verdes, com grande influência sobre o barateamento de veículos elétricos, painéis solares e baterias, por exemplo.
 
O que significa que as decisões do próximo plano tendem a impactar cadeias globais de suprimento, preços de commodities, fluxos de investimento e o ritmo da transição energética mundial.
 
E, claro, a capacidade de o mundo reduzir emissões de CO2 para cumprir a meta de limitar o aquecimento do planeta a 1,5ºC até o final do século.
 
O país está há 21 meses com emissões estáveis ou em queda, graças a recuos na geração térmica a carvão.
 
De acordo com o relatório anual do governo chinês, o consumo de carvão representou 51,4% da demanda total de energia em 2025, 1,8 ponto percentual a menos que em 2024.
 
O combustível fóssil foi substituído por fontes como gás natural, energia hidrelétrica, nuclear, eólica e solar, que representam 30,4% da matriz chinesa.



A Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma (NDRC, em inglês), órgão central do planejamento econômico, já sinalizou que acredita que a energia limpa superará o crescimento da demanda total de energia. 
 
A intenção declarada é que as “novas energias” substituam o carvão como espinha dorsal do sistema elétrico. Mas ainda não está claro quando, exatamente.
 
Embora a trajetória de emissões indique estabilidade entre 2026 e 2030, a redução mais significativa é esperada apenas no 16º Plano Quinquenal (2031–2035). 
 
Em setembro de 2025, durante a Cúpula do Clima das Nações Unidas em Nova York, Xi Jinping anunciou que o país planeja reduzir suas emissões entre 7% e 10% até 2035 em relação ao pico (que pode já ter ocorrido, ou não).
 
Essa trajetória será apoiada em uma expansão significativa da capacidade de geração renovável, especialmente solar e eólica, previstas para alcançar 3.600 GW em dez anos.
 
O volume significa dobrar a capacidade atual. Ainda assim, a previsão é que fontes não fósseis representarão cerca de 30% do consumo total de energia até 2035.
 
Em outras palavras, os indícios são de que o 15º plano consolidará o pico, mas não necessariamente levará a cortes profundos nas emissões.
 
Isso porque a aposta energética da China está apoiada em dois pilares: segurança e consolidação da liderança industrial em tecnologias limpas.
 
Há duas décadas, o 11º Plano Quinquenal (2006–2010) já mencionava a necessidade de “desenvolver sistematicamente energias alternativas”, com planos para “acelerar o desenvolvimento” de energia nuclear, solar, eólica e geotérmica. 
 
Agora, o foco é alta tecnologia (especialmente inteligência artificial), expansão do consumo interno, transição verde e soberania tecnológica para enfrentar desafios geopolíticos. (Exame)


Conflito no Oriente Médio. O Brasil e a América Latina têm uma “oportunidade enorme” de atrair os investimentos do setor de petróleo que serão redirecionados devido ao conflito no Oriente Médio, segundo o CEO da Shell Brasil, Cristiano Pinto da Costa. Ele avalia ser plausível que a alocação de capital global na indústria sofra alterações, o que deve criar oportunidades para regiões mais distantes da guerra.

  • Já a Abiquim destaca que, apesar de não haver, no momento, ruptura operacional nas cadeias de suprimento de produtos químicos, os setores de energia, fertilizantes, petroquímicos básicos e o câmbio são os principais pontos de atenção.

Gás dispara na Europa. Os preços do gás natural na Europa dispararam mais de 20% nesta terça-feira (3/2), após uma paralisação da produção na maior instalação de exportação de GNL do mundo, no Catar, abalar os mercados e elevar as preocupações sobre o fornecimento global.
 
Foz do Amazonas. A ANP autuou a Petrobras após identificar que a empresa falhou ao verificar se as bombas de combate a incêndio da sonda ODN II eram capazes de atender ao cenário de maior demanda projetada. A multa para a infração identificada varia de R$ 5 mil a R$ 2 milhões, e a Petrobras tem 15 dias para apresentar sua defesa.
 
Biometano com especificação alternativa. Consumidores industriais representados pela Abrace criticaram, nesta terça (3/3), a proposta da ANP de permitir, em caráter excepcional, a injeção de biometano “com especificação diversa” na rede de distribuição de gás natural. O tema foi discutido em audiência pública sobre qualidade do biometano no país.
 
Consumo de energia. A demanda por eletricidade deverá crescer em torno de 2,8% até o início de 2027 na América Latina, estima a Moody’s. O crescimento será puxado pela expansão das operações de mineração no Chile e Peru, assim como pela materialização de novos investimentos em data centers no Chile, Brasil, México e Argentina. 
 
Em alta no Brasil. O consumo de energia elétrica totalizou 49.104 gigawatts-hora (GWh) em janeiro, aumento de 4,1% na comparação anual É o terceiro mês de alta consecutiva no consumo nacional, informou a EPE.
 
Crédito de carbono eólico. A Echoenergia certificou três de seus complexos eólicos no Rio Grande do Norte para emissão de créditos de carbono. Os empreendimentos somam cerca de 319 MW e, juntos, têm potencial de evitar a emissão de 503 mil toneladas de CO2 equivalente por ano.

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