100% estatal

Governo de Sergipe anuncia acordo com Mitsui para assumir controle total da Sergas

Saída do único sócio privado da Sergas abre caminho para que o governo de Fábio Mitidieri revise contrato de concessão

Governador de Sergipe, Fábio Mitidieri, participa de evento sobre descomissionamento de plataformas (Foto César de Oliveira)
Governador de Sergipe, Fábio Mitidieri (PSD), participa de evento sobre descomissionamento de plataformas (Foto César de Oliveira)

O governo de Sergipe anunciou nesta quarta-feira (25/2) a conclusão das negociações com a Mitsui Gás e Energia para assumir 100% da Sergas, a distribuidora estadual de gás canalizado. A expectativa é que o contrato seja assinado e o negócio seja liquidado até o fim de março.

Após mais de um ano de negociações, o estado vai adquirir a fatia da companhia japonesa, correspondente a 41,5% do capital total da Sergas — o que equivale a 24,5% das ações ordinárias e 50% das ações preferenciais.

A saída do único sócio privado da Sergas abre caminho para que o governo de Fábio Mitidieri (PSD) avance com os planos de revisão dos termos econômicos do contrato de concessão de gás.

O governo estadual vê necessidade de atualizar o contrato, do início da década de 1990, à atual realidade do mercado, como forma de aumentar a competitividade do gás no estado. E abriu um debate, em 2024, sobre uma possível revisão da taxa de retorno dos investimentos da Sergas.

A Agrese, agência reguladora de Sergipe, chegou a recomendar que o governo estadual relicitasse a Sergas — ou até mesmo criasse uma 2ª área de concessão de gás canalizado no estado, caso não chegasse a um acordo com a Mitsui sobre a revisão dos termos econômicos do contrato da distribuidora.

Sergipe faz 2ª aquisição de ações na Sergas 

Esta é a segunda ampliação da fatia do estado no capital da Sergas, na esteira das discussões de atualização do contrato de concessão.

Em 2024, o estado já havia assumido participação majoritária na Sergas, a partir da compra da fatia da Norgás.

O negócio, no valor de R$ 132,5 milhões, ampliou na ocasião a participação estatal na distribuidora de 17% para 58,5%, como parte de um acordo para encerrar uma disputa judicial com a Compass e a Norgás, em meio a um rearranjo societário que culminaria na entrada da Energisa no capital da Sergas.

Um breve histórico

Em 2022, após comprar a Gaspetro, a Compass se comprometeu a vender parte dos ativos da holding que pertencia à Petrobras e assinou, na ocasião, um acordo com a Infra Gás e Energia para venda de participações nas distribuidoras do Nordeste.

Foi criada, em 2023, a Norgás, para reunir esses ativos numa holding e viabilizar, assim, o negócio.

Sergipe acusou a Compass (e a Norgás) de falhas no rito para o exercício dos direitos de preferência na operação e conseguiu, por liminar, barrar a venda das ações da Sergas para a Infra Gás (e por consequência, para a Energisa, que comprou, posteriormente, a Infra).

Com o acordo, a Energisa ficou de fora da Sergas. Ao comprar a Infra Gás, o grupo havia assumido indiretamente a obrigação para compra de 51% da Norgás, o que lhe dava acesso a participações indiretas na distribuidora sergipana e mais quatro concessionárias no Nordeste.

A Mitsui também abriu mão, na ocasião, da participação indireta que tinha na Sergas via Norgás.

Inscreva-se em nossas newsletters

Fique bem-informado sobre energia todos os dias