A CEO da Energisa Gás, Débora Oliver, defendeu, durante participação na gas week outlook 2026, produzida em São Paulo pelo estúdio eixos, nesta terça (24/2), que o biometano tende a desempenhar papel estratégico no desenvolvimento regional.
Na avaliação da executiva, o biometano também é parte da solução para resíduos agroindustriais, um tema que pode ganhar peso com a abertura comercial entre Mercosul e União Europeia.
Segundo ela, o aproveitamento energético desses resíduos pode evitar gargalos ambientais que hoje limitam a expansão de atividades produtivas, especialmente no interior do país.
“O potencial que a gente tem de biometano no país, ele está aí, pelo nosso potencial agroindustrial”, afirmou.
A executiva destacou que a molécula renovável pode ser integrada à infraestrutura existente de gás natural e contribuir para a interiorização do fornecimento energético, viabilizando investimentos e competitividade regional.
Ela também ressaltou o papel do biometano como alternativa para a destinação adequada de resíduos, fator que pode se tornar condicionante para exportações industriais, como destino à Europa, por exemplo.
“A indústria, principalmente a geradora de muito resíduo agroindustrial, tem uma restrição ao crescimento se ela não der uma destinação adequada ao resíduo”, disse.
“Com a abertura agora do acordo, por exemplo, com a Europa, a gente enxerga que em algum momento, cada vez mais, essas restrições podem acontecer”.
No entendimento da executiva, o planejamento integrado entre infraestrutura de gás e produção de biometano pode transformar um passivo ambiental em vetor de desenvolvimento econômico local, ao mesmo tempo em que amplia a oferta de energia renovável para consumidores industriais.
Segurança jurídica e classificação de gasodutos
Oliver também ressaltou que a discussão sobre a classificação de gasodutos entre transporte e distribuição deve preservar a segurança jurídica e considerar investimentos já realizados.
O tema tem sido debatido no âmbito regulatório, com participação da ANP.
“A discussão, sem dúvida, é válida, mas ela tem que sempre olhar à luz da segurança jurídica”, afirmou.
A executiva lembrou que a Energisa ingressou no mercado de gás em 2023, com a aquisição da ES Gás, e ampliou sua presença em 2024 ao adquirir participação na Norgás, tornando-se acionista indireta da Cegás, Copergás, Algás e Potigás.
Segundo Oliver, decisões regulatórias devem considerar o contexto dos investimentos já realizados.
“É importante olhar, ter essa discussão de que modelo, quais são as regras, etc., mas olhar à luz do que será para o futuro, os investimentos que a gente ainda vai fazer e não os que a gente já fez, inclusive, no momento da aquisição”.
Competitividade depende de flexibilidade regulatória
Ao tratar da competitividade do setor, Oliver destacou a importância de mecanismos que permitam maior flexibilidade contratual e acesso a moléculas mais baratas tanto no mercado livre quanto no mercado cativo.
Ela citou a experiência da ES Gás, controlada pela Energisa, como exemplo de avanço na abertura do mercado.
“Se você pegar a ES Gás, que é a nossa distribuidora onde a gente tem o controle, ela é, provavelmente, hoje, o maior percentual de mercado livre dentro do país inteiro — 85% do volume da distribuidora migrou para o mercado livre”, afirmou.
Para Oliver, a possibilidade de adquirir gás de oportunidade pode reduzir custos e ampliar o acesso de consumidores de menor porte ao energético.
“O gás é pass-through, para a distribuidora, na prática, quanto mais barato eu conseguir comprar o gás, mais eu consigo desenvolver mercado”, disse.
Ela defendeu ainda uma visão integrada entre regulação federal e estadual para viabilizar maior dinamismo comercial.
“Existem algumas distribuidoras que têm uma flexibilidade maior, e eu acho que isso é super importante para que a gente traga um gás cada vez mais barato para o cativo, que vai ajudar efetivamente a gente poder desenvolver mercado”.