Conexão à rede

Mais da metade dos projetos industriais na fila de conexão do ONS desiste de seguir com solicitação

Entre os projetos que ainda não foram aprovados, 51 não solicitaram parecer de acesso ou não apresentaram garantia financeira válida

Maioria dos projetos de hidrogênio verde no Porto do Pecém miram mercado europeu. Foto: Pecém/Divulgação
Maioria dos projetos de hidrogênio verde no Porto do Pecém miram mercado europeu. Foto: Pecém/Divulgação

Dos 94 projetos industriais que entraram na fila de conexão do Operador Nacional do Sistema (ONS) por meio da Política Nacional de Acesso ao Sistema de Transmissão (Pnast), 51 desistiram de prosseguir no momento. Grande parte dos empreendedores deixaram de solicitar o parecer de acesso ou não apresentaram a garantia financeira válida.

A maioria das iniciativas intensivas em energia que ainda não foram aprovadas pelo ONS são de data centers e plantas de hidrogênioVeja mais detalhes abaixo.

Outros quatro projetos tiveram a solicitação cancelada, caso do parecer para um data center da Serena, na Bahia, e de dois projetos da Qair no Ceará. Procuradas pela eixos, as empresas optaram por não se posicionar.

Ao todo, esses 55 projetos que não tiveram a solicitação aprovada ainda podem reaplicar o pedido de conexão. No caso dos que tiveram a solicitação cancelada, vai ser necessário realizar mudanças antes de submeter novamente o pedido.

No início do mês, o ONS divulgou que 39 iniciativas receberam aval inicial para prosseguir com a solicitação.

Não é a aprovação, ainda, da conexão. Os empreendimentos ainda vão passar pela avaliação da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) quanto à necessidade de um Estudo de Mínimo Custo Global (EMCG).

O Pnast reorganiza a fila de acesso de pedidos de conexão de grandes projetos industriais ao Sistema Interligado Nacional (SIN), por meio de um mecanismo concorrencial batizado de Temporadas de Acesso.

Desde dezembro de 2024, o regramento por ordem de chegada por análises em lote foi substituído por seleção por critérios técnicos e competitivos.

As Temporadas de Acesso vão ocorrer, no mínimo, duas vezes por ano. O órgão aceita novos pedidos de solicitação para a primeira temporada até 29 de maio.

A seguir, alguns dos projetos que não prosseguiram com a solicitação de acesso:

Projeto de e-metanol da GoVerde, no Porto de Aratu (BA)

O projeto de e-metanol da GoVerde no Porto de Aratu, na Bahia, é um dos que não solicitou acesso ao ONS.

De acordo com o diretor de Desenvolvimento da GoVerde, Leandro Guerrero, ainda não há nível de maturidade suficiente para aporte de garantia.

“No momento, se encontra com os estudos/projetos de engenharia em elaboração, o que ainda não permite avançarmos com a garantia com a segurança necessária”, afirmou.

Guerrero disse que a companhia pretende protocolar a solicitação de acesso e apresentar a garantia para a iniciativa até maio.

A previsão é que a iniciativa terá capacidade de produzir 500 toneladas por dia para atender à demanda do setor marítimo.

Planta de hidrogênio verde da Fortescue, em Pecém (CE)

Outra iniciativa que não solicitou acesso foi a planta de hidrogênio verde e amônia da Fortescue, no Complexo de Pecém, no Ceará. 

Segundo a companhia, a garantia bancária ainda não foi apresentada pois ainda é necessário consolidar aspectos técnicos, comerciais e financeiros da iniciativa. A empresa afirma que “está muito próxima de alcançá-los”.

“Neste momento, a Fortescue trabalha para consolidar os custos finais de engenharia (capex e opex) através de acordo com empresa de EPC (Engineering, Procurement and Construction), e avança na formalização do acordo definitivo com um potencial offtaker, passo essencial para a consolidação comercial do projeto”, disse.

“Esses dois elementos são fundamentais para definir o momento adequado para a apresentação da garantia bancária”, completou.

A Fortescue disse que participará dos próximos ciclos assim que os marcos técnicos, comerciais e financeiros necessários forem plenamente atingidos.

A planta ficará na Zona de Processamento de Exportação (ZPE) e a expectativa é que o projeto produza cerca de 500 toneladas diárias de hidrogênio a partir da eletrólise da água, utilizando 1,2 gigawatts de energia renovável. 

Projeto de data center da Elea, no Rio de Janeiro

O Rio AI City, projeto de data center da Elea no Rio de Janeiro, foi um dos quatro que tiveram a solicitação cancelada pelo ONS.

Segundo a companhia, o processo está em andamento e estão ocorrendo “ajustes finos no projeto de infraestrutura de energia com o objetivo de tornar as análises do ONS mais assertivas”. 

O data center tem capacidade inicial de 1,5 GW em energia renovável, e potencial de expansão para até 3,2 GW.

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