A Associação Brasileira de Geradoras Termelétricas (Abraget) celebrou a correção dos preços-teto dos leilões de reserva de capacidade (LRCAPs), pelo Ministério de Minas e Energia (MME). Os grandes consumidores de energia, representados pela Abrace, por sua vez, pedem equilíbrio na contratação de potência no próximo leilão.
A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou nesta sexta-feira (13/2), em reunião extraordinária, os novos preços-teto do certame, com ajustes de até 100%.
Os “valores adequados” permitirão, segundo a Abraget, um “processo competitivo com eficiência técnica e econômica”.
Em nota, a entidade acrescentou que os valores inicialmente apresentados “não permitiriam um leilão de reserva de capacidade adequado, o que poderia comprometer a segurança eletroenergetica do SIN”, o Sistema Interligado Nacional.
Eneva se recupera de baque na bolsa
No mercado financeiro, a correção dos preços-teto também foi bem recebida e reflete nas ações da Eneva – uma das favoritas do certame e cujo valor de mercado foi penalizado esta semana após a divulgação dos preços-teto originais do leilão.
Os papéis da companhia operam às 16h desta sexta com alta de 7,3%, aproximando-se dos patamares do início da semana, antes da desvalorização.
A empresa aposta no leilão como oportunidade para recontratar as térmicas existentes do Parnaíba (MA), que seguem o modelo de geração gas-to-wire; e para viabilizar a expansão da Celse, um projeto greenfield em Sergipe.
A consultoria Thymos Energia acrescentou que o ajuste nos valores do leilão “representa um avanço relevante para tornar o leilão mais aderente à realidade atual dos custos de investimento e ao de capital no financiamento dos projetos, para garantir condições concretas de participação dos agentes”.
Abrace pede calendário de leilões
Em nota, a Abrace destacou que a atualização dos preços-teto foi realizada “com base nas melhores informações disponíveis” e poderá favorecer a competitividade do certame. Mas pediu equilíbrio na contratação do próximo LRCAP.
A entidade cita que o volume a ser contratado é a “variável mais sensível” para os consumidores.
“Este leilão não representa nem a primeira nem a última oportunidade do País para contratação de flexibilidade. Quanto maior o volume, maior o encargo e, claro, maior será o custo para os consumidores brasileiros”, afirmou.
Para assegurar equilíbrio nas contratações e previsibilidade aos investidores, a Abrace sugere a definição de um cronograma de contratação de flexibilidade, com certames anuais ao menos nos próximos três anos.
“O Brasil necessita de energia firme, competitiva e a preços justos”, concluiu.
