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Os destaques do Plano Decenal de Energia 2035

Aumento na contratação termelétrica e expansão da MMGD indicam rumos do setor elétrico

PL 414: A temporada dos jabutis
MP da Eletrobras expande usinas termelétricas movidas a gás, como a de Santa Cruz (RJ), na foto, o que representará aumento nas emissões de gases de efeito estufa no Brasil (foto: Jonas de Carvalho)

A newsletter fará uma breve pausa durante o Carnaval e volta a circular no dia 23 de fevereiro. Aproveitem a folia — ou o descanso!

NESTA EDIÇÃO. PDE 2035 indica expansão de termelétricas e MMGD. 
 
Aneel indica atuação insatisfatória da Enel durante apagão em SP.
 
Petrobras fecha contrato com Cerbras no mercado livre de gás no Ceará. 
 
EUA indicam que vão investir em processamento de minerais críticos dentro do Brasil.


EDIÇÃO APRESENTADA POR:

O Brasil vai precisar ampliar a contratação de geração de energia flexível ao longo da próxima década ao mesmo tempo em que vai ter uma forte ampliação da geração de energia distribuída, apontou o Plano Decenal de Energia (PDE) 2035, colocado em consulta pública pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) na quinta-feira (12/2). 

  • Usado para orientar políticas públicas, o documento indica que o Brasil vai sair de uma capacidade instalada de 249 GW para 359 GW em dez anos. 
  • A maior parte da expansão virá de termelétricas, eólicas e geração distribuída
  • Isso deve demandar 29 mil km de linhas de transmissão e 6 GW de baterias.

Segundo as estimativas, o país vai precisar de uma expansão da ordem de 19 GW de termelétricas flexíveis até 2035.

  • O total inclui desde novas usinas à modernização de térmicas existentes em fim de contrato. 

A indicação ocorre justamente no momento em que o governo vem tentando tirar do papel a contratação de termelétricas flexíveis, por meio dos leilões de reserva de capacidade (LRCAPs). No entanto, vem enfrentando desafios em série. 

  • A Aneel se reúne na manhã de sexta-feira (13) para aprovar o novo edital dos leilões, que tiveram que ser revistos depois que a primeira versão aprovada esta semana foi alvo de fortes críticas no mercado.
  • O PDE indica a expansão de 9,6 GW de térmicas flexíveis até 2031 — horizonte de contratação dos LRCAPs previstos para março. 

Cabe ressaltar que os valores indicados no PDE não necessariamente indicam o quanto será efetivamente contratado no leilão

  • Além disso, as premissas do plano levam em consideração a contratação obrigatória de térmicas a gás natural prevista na Lei de Privatização da Eletrobras, mas que foi flexibilizada nas discussões da medida provisória 1304/2025, aprovada no Congresso Nacional no ano passado.  

A necessidade cada vez maior de térmicas inflexíveis no sistema elétrico brasileiro ocorre em paralelo à expansão da micro e mini geração distribuída (MMGD), modelo no qual o consumidor gera a própria energia, geralmente por meio de paineis fotovoltaicos. 

  • A MMGD deve sair de 40 GW em 2025 e chegar a 2035 com 78 GW no país, respondendo por 21,8% da capacidade instalada do sistema.  

Em relação aos fósseis, o PDE projeta que o pico de produção de petróleo no Brasil vai ocorrer em 2032. Veja mais em: Mesmo com novas descobertas, Brasil não vai sustentar pico do petróleo previsto para 2032, diz EPE.

Já para os combustíveis renováveis, indica que o mercado de etanol pode chegar a 50 bilhões de litros e o de combustíveis sustentáveis de aviação (SAF, em inglês) a 2,8 bilhões de litros.

Além do PDE 2035, também foi colocado em consulta pública o plano de prazo mais longo, o Plano Nacional de Energia (PNE) 2055



Expansão renovável. A matriz elétrica brasileira cresceu 543 MW em janeiro, impulsionada por usinas solares, segundo a Aneel. 

  • Das 13 usinas que entraram em operação comercial no mês, 11 são centrais solares fotovoltaicas (509 MW), uma é termelétrica (20 MW) e uma é pequena central hidrelétrica (14 MW). 

Apagão em SP. Relatório técnico da Aneel concluiu que foi “insatisfatória” a atuação da concessionária Enel durante o apagão que deixou 4,4 milhões de imóveis da Grande São Paulo no escuro em dezembro de 2025. 

  • A diretoria da autarquia aguardava a conclusão da análise para retomar a votação sobre recomendar ou não o fim do contrato da empresa. 

Sinais trocados. A Brasscom, associação dos data centers, está buscando desoneração de ICMS nos estados em uma estratégia para amenizar os efeitos da recente elevação das alíquotas federais sobre importação para bens de capital e bens de informática e telecomunicação. 

  • A associação calcula que a recente decisão da Camex pode anular os benefícios do Redata. 

Mercado livre de gás. A ceramista Cerbras fechou um contrato com a Petrobras para suprimento de gás natural no mercado livre a partir de março. A Cerbras foi a primeira indústria a receber autorização para migrar para o mercado livre no Ceará e é a maior consumidora não-termelétrica de gás do estado.

Braskem. A Petrobras optou por não exercer do direito de preferência de compra das ações da Braskem detidas pela Novonor (ex-Odebrecht). Segundo comunicado divulgado na quinta-feira (12), o conselho de administração da estatal votou por não exercer os direitos de preferência e tag along previstos no acordo de acionistas vigente da empresa petroquímica.

Preço do barril. O petróleo fechou em queda de quase 3%, em sessão fortemente influenciada pelas negociações diplomáticas entre Estados Unidos e Irã. As perspectivas de um acordo entre as duas nações reduziram os prêmios de risco da commodity.

  • O Brent para abril recuou 2,71% (US$ 1,88), a US$ 67,52 o barril. 

Parceria em terras raras. O aceno do governo dos EUA em prol de investir em processamento de minerais críticos dentro do Brasil foi visto de forma positiva pelo governo Lula.

  • O secretário de Estado adjunto dos EUA Caleb Orr, responsável por Assuntos Econômicos, Energéticos e Comerciais, indicou, na quarta-feira (11), que os Estados Unidos estavam dispostos a ter uma parceria sólida com o Brasil e consideravam financiar, para além da extração, capacidades de processamento e refino de minerais críticos, como as terras raras, dentro do país. 

EUA recuam em leis climáticas. Na medida mais agressiva para reverter as leis climáticas nos EUA até o momento, Donald Trump, revogou uma conclusão científica que dá base para diversas regulamentações americanas relacionadas às emissões de gases do efeito estufa

  • A medida também pôs fim às normas federais subsequentes para todos os veículos e motores dos anos-modelo 2012 a 2027. (Valor Econômico)

Enquanto isso, no Brasil. A construção nacional de um mapa do caminho para a transição para longe de combustíveis fósseis no Brasil deve levar alguns anos, além de considerar políticas energéticas já em andamento, indicaram na quinta (12) fontes do governo ligadas ao tema. Saiba mais na diálogos da transição.
 
Opinião: O setor do hidrogênio verde é marcado por um alto volume de anúncios, mas um baixo número de projetos que efetivamente alcançaram a fase de execução, escrevem, respectivamente, o chairman e o presidente do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (Cerne), Jean Paul Prates e Darlan Santos.

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