diálogos da transição

Transição energética entra em zona de risco pré-2030

Apesar de investimentos recordes em transição energética em 2025, novas tecnologias enfrentam obstáculos para sair do papel

Noruega cancela plano de mineração em alto mar. Na imagem: Hywind Tampen sendo montado na Base Wergeland em Gülen, na Noruega (Foto Ole Jørgen Bratland/Equinor)
Parque eólico Hywind Tampen sendo montado na Noruega | Foto Ole Jørgen Bratland/Equinor

NESTA EDIÇÃO. Com apenas 15% das novas tecnologias implementadas, transição energética entra em zona de risco no curto prazo. 

Hidrogênio sem demanda, incertezas na eólica offshore e gargalos de infraestrutura e incentivo para CCUS ameaçam o ritmo da descarbonização.


EDIÇÃO APRESENTADA POR:

Até o final de 2025, menos de 15% das tecnologias de baixa emissão necessárias para cumprir as metas alinhadas ao Acordo de Paris em 2050 estavam implementadas, apenas alguns pontos percentuais a mais do que os 10% registrados há dois anos, alerta uma análise da McKinsey.
 
Faltando menos de cinco anos para 2030, quando serão medidas as metas intermediárias, os analistas observam que a transição energética dá sinais de desaceleração — justamente quando deveria acelerar e apesar dos investimentos recordes.
 
Os projetos de hidrogênio são um exemplo. Dados da BloombergNEF mostram que os investimentos nessa indústria estão em queda, desde 2024, quando foi registrado recuo de 42% para US$ 8,4 bilhões. 
 
Em 2025, o volume ficou em US$ 7,3 bilhões, com um número significativo de projetos de grande escala na Ásia, Austrália, Europa e Estados Unidos sendo cancelados, adiados ou reduzidos.
 
Demanda fraca e disputas por terrenos e acesso a energia com data centers são algumas das pedras no meio do caminho no setor.
 
Isso tem se refletido também no cenário brasileiro. Por aqui, nenhum projeto chegou ainda à decisão final de investimento (FID). E embora algumas FIDs sejam esperadas em 2026, há empresas revisando seus cronogramas, à espera de sinais mais claros dos mercados consumidores. 



Ventos contrários também estão desacelerando a implantação de parques eólicos offshore em grandes mercados.
 
Para a McKinsey, China, Europa e Estados Unidos provavelmente não atingirão a capacidade instalada no mar esperada para 2030, de forma a alinhar esses mercados ao Acordo de Paris.
 
Os analistas observam que apesar da ausência de metas oficiais para energia eólica offshore na China e nos Estados Unidos, é necessário um crescimento significativo da capacidade instalada para atender novas demandas por eletricidade: cerca de 24 GW nos EUA e 89 GW na China. 
 
E os recentes ataques do presidente estadunidense, Donald Trump, à geração de energia a partir dos ventos já reflete no atraso de projetos.

Aposta da indústria de óleo e gás e de setores difíceis de descarbonizar, os projetos de captura, armazenamento e uso de carbono (CCUS, em inglês) estão sem ritmo há alguns anos e 2026 é visto como crucial para vislumbrar a capacidade dessa tecnologia atender as expectativas.
 
Relatório da Wood Mackenzie aponta que os principais hubs de CCUS anunciados até agora devem chegar à FID entre 2026 e 2027, mas o sucesso depende do apoio político
 
“Os centros de CCS enfrentam um dilema do ovo e da galinha: os operadores precisam de compromissos de compra para justificar o Capex, enquanto os emissores precisam de certeza quanto à infraestrutura. Projetos com forte apoio governamental terão sucesso. Aqueles sem esse apoio enfrentarão desafios crescentes”, avalia.
 
O estudo mapeou 30 projetos, totalizando 600 mil toneladas por ano em fase de planejamento globalmente e constatou que enquanto o transporte de CO2 avança na Europa e na região Ásia-Pacífico, megaprojetos ainda estão tentando contornar “mega riscos”.
 
Entre os grandes projetos onde são esperados atrasos na FID estão o Summit Carbon Solutions Cluster (EUA), CO2 Highway Europe (Noruega) e Pathways (Canadá), este último contando com decisões sobre precificação de carbono para ganhar viabilidade.


Urgência para data centers. A Câmara dos Deputados aprovou na noite de terça (10/2) o regime de urgência para o Projeto de Lei 278/26, do deputado José Guimarães (PT/CE), que institui o Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter (Redata). O texto é idêntico ao da Medida Provisória 1318/25, que perderá a validade em 25 de fevereiro.
 
Aval para 18 blocos. Os Ministérios do Meio Ambiente (MMA) e de Minas e Energia (MME) assinaram, nesta quarta-feira (11/2), uma manifestação conjunta inédita que confirma a viabilidade ambiental da inclusão de uma área contínua na oferta permanente. A área está nas Bacias de Campos, Santos e Espírito Santo, abrangendo grande parte do polígono do pré-sal.
 
Leilão das térmicas. O ministro Alexandre Silveira (PSD) afirmou nesta quarta (11/2) que a pasta vai corrigir os preços-teto dos leilões de reserva de capacidade de março e que trabalha para editar os novos valores até o fim do dia. As declarações ocorrem após as repercussões negativas do mercado aos preços-tetos.

Gases renováveis na rede. O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), editou um decreto que trata da integração da infraestrutura de gás canalizado com os gases de baixo carbono. O documento também regulamenta as políticas estaduais para o biogás e biometano e para o hidrogênio de baixo carbono e hidrogênio verde.
 
Descarbonização da frota. A Comlurb, empresa de limpeza urbana do Rio de Janeiro, recebeu 100 caminhões movidos a biometano que substituirão parte da frota de veículos a diesel. O biocombustível será fornecido pela Gás Verde e produzido no aterro de Seropédica (RJ).
 
Ação contra o Carbono. O governo brasileiro anunciou, nesta quarta, que se tornou o 36º membro da Parceria Internacional para Ação contra o Carbono (Icap). Ao ingressar na aliança, o Brasil obtém acesso a uma rede global de jurisdições que trabalham com sistemas de comércio de emissões. 
 
Energia Feminina. A iniciativa do Instituto Equatorial vai investir R$ 910 mil para impulsionar negócios liderados por mulheres, nos sete estados de atuação da companhia: Goiás, Alagoas, São Luís, Piauí, Pará, Amapá e Rio Grande do Sul. O projeto vai oferecer cursos gratuitos de empreendedorismo, gestão financeira, marketing e vendas, sustentabilidade e eficiência energética, com inscrições online.

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