Distribuição de gás

Governo do Rio vai relicitar as concessões de gás da CEG e CEG Rio

Analise da prorrogação dos contratos foi suspensa em meio a questionamentos do TCE-RJ sobre a legalidade da renovação

Logomarca na fachada da sede da Naturgy, no Rio de Janeiro (Foto: Reprodução)
Sede da Naturgy, no Rio de Janeiro (Foto: Reprodução)

O governo do Estado do Rio de Janeiro decidiu que vai abrir uma licitação para as concessões de gás canalizado da CEG e CEG Rio, atualmente operadas pela Naturgy e cujos contratos vencem em julho de 2027.

A informação foi antecipada pelo Valor Econômico e confirmada pela agência eixos.

A Naturgy havia solicitado em 2024 a prorrogação dos contratos por mais 30 anos, o que deu início ao processo formal de avaliação da renovação.

A análise dos trâmites para a prorrogação, contudo, foi suspensa pela Agenersa, o regulador estadual, nas últimas semanas, após questionamentos do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ) sobre a legalidade da renovação do contrato.

Cabe à Agenersa avaliar a elegibilidade da renovação, com base nos desempenhos técnico, operacional e econômico-financeiro das concessionárias. A decisão final sobre a prorrogação ou não dos contratos, porém, é do governo estadual, e não da agência.

A posição do governo de Cláudio Castro (PL) vem a público na véspera da reunião do Plenário do TCE desta quarta-feira (11/2), para julgar o caso.

Na semana passada, a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) formalizou a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o serviço de distribuição de gás canalizado no estado e o processo de renovação (ou relicitação) das concessões da CEG e CEG Rio.

Naturgy defende renovação

Um parecer contratado pela Naturgy, no processo, defende a prorrogação como a “alternativa mais eficiente para a proteção do erário e a manutenção da qualidade do serviço”. 

A continuidade contratual, advoga a companhia, evitaria a paralisia de obras e o passivo referente aos bens reversíveis. E que, caso contrário, a empresa teria direito a uma indenização em face de ativos ainda não amortizados. 

A Naturgy propõe investimentos de R$ 11,9 bilhões em 30 anos na área de concessão da CEG; e de mais R$ 4 bilhões na CEG Rio.

Procurada, a empresa informou que “acompanhará os desdobramentos e está à disposição para seguir apoiando no que for necessário”.

A Naturgy destacou ainda, em nota, que sua continuidade nas concessões “manteria um operador técnico mundialmente habilitado na prestação do serviço e consolidaria uma nova fase de expansão do gás natural”, evitando, assim, “um hiato em um serviço público essencial, que é intensivo em investimentos e mão de obra”.

Cita que, nos últimos 28 anos, investiu mais de R$ 11 bilhões nas concessões; modernizou a infraestrutura existente e triplicou sua rede para mais de 6 mil km. 

TCE defende nova licitação

Conforme antecipado pelo eixos pro (teste grátis), serviço exclusivo para empresas da agência eixos, a Secretaria-Geral de Controle Externo (SGE) do TCE-RJ pede, por meio de medida de tutela provisória, a modelagem de um novo projeto de concessão e sua respectiva relicitação, abrindo uma concorrência pelo mercado cativo do Rio. 

A legalidade do caso ainda é objeto de exame do TCE. O Plenário da Corte, aliás, pautou para esta quarta-feira (11/2) o julgamento do caso.

  • A SGE entende que o contrato de concessão não confere direito adquirido à prorrogação por mais 30 anos (sujeita a critério exclusivo do estado, segundo o contrato);
  • E que a prorrogação da concessão contraria a lei estadual 2.831/1997 — que, em suas regras de transição, determina a realização de licitação quando vencido o prazo das concessões celebradas antes da vigência da lei em questão;
  • Pelos termos da legislação, a prorrogação só é possível em casos de “eventual e circunstancial prorrogação, com prazo limitado, até a conclusão da nova contratação mediante licitação”. 

Apesar da vedação legal, o “Poder Concedente e a Agenersa estariam conduzindo seus trabalhos de forma direcionada a possibilitar a prorrogação contratual”, cita a representação da SGE.

As áreas técnicas da Agenersa, por sua vez, recomendaram um novo desenho para o contrato de concessão da CEG e CEG Rio. A modelagem cabe ao Poder Concedente.

Sobre a renovação da concessão, em si, a Câmara de Política Econômica e Tarifária (Capet) concluiu que, apesar da “trajetória errática” dos investimentos da Naturgy ao longo do contrato atual, “em linhas gerais é possível observar que a concessão se manteve saudável” e que ainda há “espaço significativo para expansão dos serviços”.

E a Câmara Técnica de Energia (Caene) concluiu que as metas de qualidade e segurança foram, em sua maioria, cumpridas; e que “não identificou elementos que contrariem uma eventual decisão do poder concedente pela renovação”.

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