Presença na África

Petrobras compra ativo na Namíbia, país da África com geologia similiar à Bacia de Pelotas

Operação foi realizada em parceria com a TotalEnergies, que também adquiriu 42,5% e será a operadora do bloco

FPSO Alexandre de Gusmão, quinta plataforma no campo de Mero, na Bacia de Santos, iniciou suas operações em maio de 2025 (Foto Agência Petrobras)
FPSO Alexandre de Gusmão, quinta plataforma no campo de Mero, na Bacia de Santos, iniciou suas operações em maio de 2025 (Foto Agência Petrobras)

A Petrobras anunciou, nesta sexta-feira (6/2), a aquisição de uma fatia de 42,5% do bloco 2613, localizado no offshore da Namíbia.

A transação marca o retorno da estatal brasileira ao país africano, que concentra uma das atividades exploratórias mais aquecidas da indústria de óleo e gás no mundo e que possui uma evolução geológica similar à da costa sul-americana.

O sucesso exploratório na Namíbia, aliás, foi um dos fatores que motivaram a Petrobras a retomar o interesse na exploração da Bacia de Pelotas, no Sul do Brasil.  

“Temos bastante conhecimento geológico da região, em grande parte análoga às nossas bacias sedimentares. Olhamos com atenção a costa oeste Africana e as boas oportunidades na África. Foi assim em São Tomé e Príncipe, África do Sul e, agora, Namíbia”, afirmou a diretora de Exploração e Produção da Petrobras, Sylvia Anjos, em nota.

Petrobras será parceira da TotalEnergies

A volta à Namíbia se dá em parceria com a TotalEnergies, que também adquiriu 42,5% e será a operadora do bloco. 

A petroleira francesa é um dos players mais ativos na exploração de óleo e gás na Namíbia.

Petrobras e TotalEnergies compraram fatias da Eight Offshore Investment, que manteve 5% no bloco, e da Maravilla Oil & Gas, que encerra a participação no ativo.

A Namcor Exploration and Production (PTY), empresa estatal da Namíbia, detém os demais 10% do bloco, localizado na Bacia de Lüderitz e que cobre uma área de cerca de 11 mil km² na costa da Namíbia.

“Temos avaliado com muito cuidado áreas que têm mostrado boas perspectivas, tanto no Brasil como em outras partes do do mundo. A atuação com parceiros nesse novo bloco marca a volta da Petrobras à Namíbia e será muito importante dentro da estratégia de busca de novas fronteiras pela companhia”, disse a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, em nota.

A conclusão da transação ainda depende de aprovações governamentais e regulatórias aplicáveis.

Petrobras retoma presença na África

A volta à Namíbia é parte de um movimento de reposicionamento da Petrobras no exterior, dentro de uma estratégia de diversificação de portfólio.

Desde 2023, a companhia fez aquisições em São Tomé e Príncipe e África do Sul, numa retomada dos investimentos da estatal brasileira no continente africano, de onde a empresa saiu em 2020 ao vender a PetroÁfrica por US$ 1,45 bilhão. 

Na época, a Petrobras encerrou um ciclo de quatro décadas no continente, período no qual a petroleira brasileira passou por dez países africanos diferentes, na maioria deles sem sucesso.

Quando sacramentou o desinvestimento, a Petrobras produzia, na Nigéria, cerca de 35 mil barris diários de petróleo — menos do que a companhia produz, em alguns casos, num só poço do pré-sal.

Um histórico da Petrobras na África

O primeiro destino da Petrobras na África foi Angola, em 1979, ainda durante o regime militar, num contexto de uma década marcada pela independência do país africano e pelo segundo choque do petróleo — o que estimulou as petroleiras a buscarem a diversificação de reservas.

A segunda investida na África só ocorreu duas décadas depois, em 1998, já no governo FHC, quando a petroleira brasileira entrou na Nigéria — justamente onde a empresa teve o seu maior sucesso no continente.

A internacionalização da Petrobras, na década de 1990, se deu num contexto bem diferente do atual: a companhia ainda não havia descoberto os grandes recursos do pré-sal e, sem expectativas de contar com suficientes reservas de óleo e gás no Brasil, se lançou rumo à África e Bolívia, por exemplo.

Foi com Lula (PT), nos anos 2000, e no início do governo de Dilma Rousseff (PT), contudo, que a presença da Petrobras na África se acentuou, acompanhando os passos da política externa, sobretudo de Lula — que diversificou as relações internacionais do Brasil e pregava a cooperação Sul-Sul.

Entre 2004 e 2011, a companhia entrou na atividade de exploração de óleo e gás na Tanzânia, Líbia, Moçambique, Guiné Equatorial, Senegal, Namíbia, Gabão e Benin. A empresa, no entanto, jamais produziu nos demais países.

Com o pré-sal no centro de sua estratégia, a Petrobras foi aos poucos tirando a África de seu radar. Foi nesse contexto que, em 2013, a Petrobras formou uma joint venture com o BTG, para investir, junto com um parceiro, e não mais sozinha, na Nigéria. A operação foi, inclusive, objeto das investigações da Lava-Jato.

Não foi só a presença na África que foi revista pela Petrobras desde a crise pela qual a companhia passou a partir de meados da última década. Desde 2015, a estatal saiu de países como Chile, Paraguai, Uruguai e Japão.

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