A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) autorizou a Petrobras a retomar a perfuração do poço Morpho, no bloco FZA-M-59, na Bacia da Foz do Amazonas. O aval veio antes auditoria remota marcada pela ANP para a semana que vem.
A liberação da Superintendência de Segurança Operacional (SPO) ocorre 35 dias após a Petrobras registrar um incidente com a sonda ODN II (NS-42), o que paralisou a perfuração do primeiro poço do projeto em águas profundas do Amapá.
O episódio resultou na descarga de 18.440 litros de fluido sintético de perfuração no dia 4 de janeiro.
Para voltar a operar a sonda e dar continuidade à perfuração, o parecer determina a troca dos selos das juntas da coluna de riser (tubo que conecta a plataforma ao poço) antes de usá-los novamente, o treinamento dos trabalhadores envolvidos no procedimento de instalação do equipamento de segurança, o aumento a frequência da coleta de dados e a apresentação de certificados que comprovem a inspeção e condições adequadas dos tubos reservas.
Além da ANP, o caso também vem sendo acompanhado pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
Ao órgão ambiental, a Petrobras afirmou na semana passada que ainda investiga as causas do vazamento.
A estatal também descartou quaisquer problemas com a sonda ou com o poço, e afirma que ambos “permanecem em total condição de segurança”.
A companhia pretende retomar a atividade após a conclusão dos trabalhos de reparo — que ainda não tem data.
Vazamento no poço Morpho
O vazamento no dia 4 de janeiro ocorreu na linha de booster, durante as atividades de perfuração do poço Morpho.
Um robô subaquático foi acionado para inspeção da coluna de riser e constatou a descarga do fluido de perfuração para o mar, a aproximadamente 2.700 metros de profundidade.
Após identificar a falha, as operações foram interrompidas imediatamente e a ANP foi notificada no mesmo dia.
Na mesma semana, equipes da Petrobras e da Superintendência de Segurança Operacional (SSO) da ANP se reuniram por videoconferência para discutir o episódio.
A despeito da Petrobras informar que o fluido vazado está dentro dos limites de toxicidade permitidos e é biodegradável, o incidente foi classificado pela agência reguladora como risco de dano à saúde humana e dano ao meio ambiente.
